Instrumento

SAS-SV: Escala de Dependência de Smartphone (versão curta)

A SAS-SV mede, em 10 frases, quanto o uso do celular escapa do controle e toma o lugar de outras coisas. Esta página explica a pontuação, os cortes de referência e por que eles pedem cautela em adultos brasileiros.

10 perguntas · dimensão Comportamentos · rastreio, não diagnóstico

O que a SAS-SV mede

A SAS-SV (Smartphone Addiction Scale, Short Version) é uma escala de autorrelato que mede o uso problemático do celular. Ela não pergunta horas de tela: pergunta o que o uso faz com o resto da vida. As 10 frases cobrem interferência na rotina (tarefas adiadas, dificuldade de concentração), desconforto físico (dor em punhos e pescoço), dificuldade de ficar sem o aparelho (impaciência, pensar no celular quando não o usa), perda de controle (usar por mais tempo que pretendia, checar constantemente as redes) e o olhar dos outros (pessoas próximas dizendo que o uso é excessivo).

No MindScan™, a SAS-SV é o instrumento da trilha de uso do celular, dentro da área de comportamentos do escaneamento.

Quem criou e validação

A versão curta foi publicada em 2013 por Min Kwon, Dai-Jin Kim e colaboradores, da Universidade Católica da Coreia, na PLoS One, a partir da escala completa de 33 itens do mesmo grupo. O estudo original, com adolescentes coreanos, selecionou as 10 frases com melhor desempenho e propôs os cortes de 31 (meninos) e 33 (meninas).

A versão brasileira é de André Luiz Monezi Andrade e colaboradores (2020), em Estudos de Psicologia (Campinas), com 387 universitários e 331 adultos. A tradução mostrou boa consistência interna, mas a estrutura fatorial ficou fraca nessa amostra, e o estudo não propôs um corte brasileiro. Os itens do MindScan™ são os dessa versão, publicada sob licença aberta.

As perguntas

São 10 frases sobre o uso atual do celular, sem janela de tempo definida. A pessoa marca o quanto concorda com cada uma, em seis opções: Discordo totalmente (1), Discordo (2), Discordo um pouco (3), Concordo um pouco (4), Concordo (5) e Concordo totalmente (6). Não há frases invertidas. Três frases foram adaptadas na versão brasileira; a oitava cita WhatsApp e Instagram.

Como pontuar

Some as 10 respostas. O total vai de 10 a 60, e quanto maior, mais sinais de uso problemático. A pontuação mínima é 10, e não zero, porque a menor resposta vale 1. Como a escala é de concordância, e não de frequência, quem usa o celular muitas horas por trabalho pode pontuar baixo se isso não traz impaciência nem perda de controle.

Faixas e pontos de corte

Pontuação Faixa Leitura
10 a 30 Abaixo dos cortes de referência Por esta escala, o uso do celular não aparece como problemático.
31 a 32 Entre os cortes de referência Acima do corte proposto para homens (31) e abaixo do corte para mulheres (33). Vale observar o quanto o celular toma o lugar de outras coisas.
33 a 60 Acima dos cortes de referência Sinais de uso problemático: dificuldade de ficar sem o aparelho, perda de controle do tempo e prejuízo no restante da rotina.

Os cortes de 31 e 33 vêm do estudo original, com adolescentes coreanos. No Brasil não há corte validado para adultos; Andrade e colaboradores (2020) encontraram 39,4% da amostra acima desses valores, o que sugere que eles podem ser baixos para a nossa população. O MindScan™ mostra essa ressalva no próprio resultado.

O que o resultado não diz

A SAS-SV não fecha diagnóstico, e isso vale em dobro aqui: dependência de celular não existe como categoria no DSM-5 nem na CID-11. O que a escala descreve é um padrão de uso com sinais de perda de controle e prejuízo, que a pesquisa ainda discute se é uma dependência comportamental em si ou a expressão de outros quadros, como ansiedade, depressão e TDAH.

Ela também não distingue o conteúdo do uso: jogos, redes sociais, apostas e trabalho pela tela têm efeitos diferentes. Para jogos eletrônicos há um instrumento próprio, a IGDS9-SF.

Como o MindScan™ usa a SAS-SV

O MindScan™ aplica as 10 frases da versão brasileira, soma de 10 a 60 e lê o resultado nas três faixas acima, sempre informando que os cortes vêm de adolescentes coreanos e que não há corte brasileiro para adultos. A devolutiva pede que a pessoa leia o resultado como sinal, não como veredito, e sugere conversar com um profissional quando o uso já pesa no dia a dia.

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Perguntas frequentes

Quantos pontos na SAS-SV indicam vício em celular? Os cortes de referência são 31 para homens e 33 para mulheres, do estudo original com adolescentes coreanos. Acima deles, a escala aponta sinais de uso problemático. Sem corte brasileiro para adultos, o MindScan™ trata esses valores como referência, não como veredito.

A SAS-SV mede nomofobia? Em parte. Nomofobia é o desconforto de ficar sem o aparelho, e algumas frases tratam disso. Mas a escala mede principalmente o padrão de uso problemático como um todo, incluindo perda de controle e prejuízo na rotina.

Qual a diferença entre a SAS-SV e a SAS completa? A SAS original, de 2013, tem 33 itens e seis subescalas. A versão curta selecionou os 10 itens com melhor desempenho para aplicação em cerca de 2 minutos, e é a mais usada em pesquisa e em rastreio.

A SAS-SV funciona para adolescentes? Ela foi criada com adolescentes, e os cortes vêm dessa população. No MindScan, porém, os testes são para pessoas com 18 anos ou mais, e a leitura em adultos pede a cautela descrita acima.

Resultado alto quer dizer que preciso largar o celular? Quer dizer que vale olhar para o custo do uso: sono, concentração, tarefas e relações. Para a maioria, ajustes de hábito bastam; quando há sofrimento ou prejuízo, investigar com um profissional ajuda a entender o que o celular está cobrindo.

Referências

  • Kwon M, Kim DJ, Cho H, Yang S. The Smartphone Addiction Scale: development and validation of a short version for adolescents. PLoS One. 2013;8(12):e83558. doi:10.1371/journal.pone.0083558
  • Kwon M, Lee JY, Won WY, et al. Development and validation of a Smartphone Addiction Scale (SAS). PLoS One. 2013;8(2):e56936. doi:10.1371/journal.pone.0056936
  • Andrade ALM, Kim DJ, Scatena A, et al. Validity and reliability of the Brazilian version of the Smartphone Addiction Scale-Short Version for university students and adult population. Estud Psicol (Campinas). 2020;37:e190117. doi:10.1590/1982-0275202037e190117

Curadoria científica

Dr. David Sosa Dias, psiquiatra

CRM-RJ 52.86494-3 · RQE 19051. Formação no IPUB/UFRJ e coautoria da validação brasileira do MSI-BPD. Responsável técnico pelo MindScan™ e pela escolha dos instrumentos. Conheça.

Atualizado em 30 de outubro de 2026 · revisão clínica: Dr. David Sosa Dias.

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Teste de nomofobia e vício em celularDez frases da escala SAS-SV mostram se o celular está tomando o lugar de outras coisas no seu dia. É um rastreio, não um diagnóstico, e esta página explica o que é nomofobia, o que a escala mede e onde ela tem limites.

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