Aprofundamento · SAS-SV

Teste de nomofobia e vício em celular

Dez frases da escala SAS-SV mostram se o celular está tomando o lugar de outras coisas no seu dia. É um rastreio, não um diagnóstico, e esta página explica o que é nomofobia, o que a escala mede e onde ela tem limites.

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  1. 0110 perguntas, ~2 minEscala de Dependência de Smartphone – versão curta (SAS-SV) (Kwon et al. 2013 · versão BR Andrade et al. 2020), usada em pesquisa e em consultório.
  2. 02Uma escala específicaAprofunda uma dimensão do seu mapa. Rastreia sinais — não fecha diagnóstico.
  3. 03Resultado na horaPara ver, pedimos nome e WhatsApp no fim; receber orientações por lá é opcional. Se houver sinal de risco, a orientação aparece na hora, sem pedir nome nem WhatsApp.

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10 perguntas · ~2 min

Gratuito, com resultado na hora. Rastreio, não diagnóstico.

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Antes da primeira pergunta, duas confirmações rápidas: o uso das respostas e a idade com a política de privacidade.

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O que o teste de vício em celular mostra

O teste usa a SAS-SV (Smartphone Addiction Scale – Short Version), uma escala de 10 frases criada na Coreia do Sul por Kwon e colaboradores, em 2013, para identificar o uso problemático do smartphone. Em vez de perguntar quantas horas você passa na tela, ela olha para o que esse uso faz com o resto da sua vida: tarefas adiadas, concentração que escapa, irritação quando o aparelho não está por perto, a sensação de que é difícil parar.

A versão que você responde aqui é a brasileira, adaptada por Andrade e colaboradores em 2020 e testada em 718 pessoas: 387 universitários e 331 adultos de todos os estados. O resultado é uma pontuação de 10 a 60, lida contra os pontos de corte do estudo original, e entra no seu mapa do MindScan™ na dimensão de comportamentos, ao lado de jogos, apostas, compras e impulsividade.

Uma ressalva desde já, porque ela muda a leitura: os cortes da SAS-SV vieram de adolescentes coreanos. No Brasil ainda não existe corte validado para adultos. O resultado é um sinal para observar, não um veredito. Rastreio, não diagnóstico.

Nomofobia: o que é

Nomofobia é o nome popular para o desconforto, às vezes ansiedade de verdade, de ficar sem o celular: sem bateria, sem sinal, sem crédito ou simplesmente longe dele. A palavra vem do inglês no mobile phone phobia, “fobia de ficar sem celular”, e virou termo corrente na última década. Um grupo de pesquisadores do Rio de Janeiro levou o tema para o contexto clínico, perguntando se aquilo era dependência do ambiente virtual ou uma forma de fobia social (King e colaboradores, 2013). Em 2015, Yildirim e Correia publicaram um questionário específico para a nomofobia, o NMP-Q.

Apesar do sufixo, nomofobia não é uma fobia no sentido técnico e não aparece como diagnóstico no DSM-5 nem na CID-11. É um rótulo útil para um padrão que muita gente reconhece no espelho: o celular deixou de ser ferramenta e virou extensão do corpo, e a falta dele incomoda mais do que deveria.

Como a nomofobia aparece no dia a dia

  • Conferir se o celular está no bolso várias vezes, mesmo sabendo que está.
  • Sentir um aperto quando a bateria cai abaixo de 20%, ou não sair de casa sem carregador.
  • Desbloquear a tela por reflexo, sem motivo, e só perceber depois.
  • Ficar irritado(a) ou inquieto(a) num lugar sem sinal.
  • Dormir com o aparelho ao alcance da mão e checá-lo ao acordar no meio da noite.
  • Sentir o celular vibrar quando ele não vibrou.

Nenhum desses sinais, sozinho, quer dizer muita coisa. O celular concentra trabalho, banco, mapa, família e amigos; é natural sentir falta dele. O que muda o quadro é a intensidade e o custo: quando o desconforto toma conta, quando o uso atropela o que você tinha planejado, quando outras pessoas começam a comentar.

Nomofobia, vício em celular e uso intenso

Os três termos se misturam nas buscas, mas descrevem coisas diferentes.

  • Uso intenso é tempo de tela alto. Pode ser trabalho, estudo ou lazer escolhido, sem prejuízo nenhum.
  • Nomofobia é o medo ou o desconforto de ficar sem o aparelho: o lado da falta.
  • Uso problemático, o que se chama popularmente de vício em celular, é o padrão em que o uso escapa do controle e começa a cobrar um preço em sono, trabalho, estudos, relações ou no próprio corpo.

A SAS-SV mede o terceiro e toca no segundo. Frases como “Não há nada mais difícil do que ficar sem meu celular” e “Eu fico impaciente e irritado quando estou sem meu celular” captam justamente a parte da falta. Mas ela não é um questionário de nomofobia: quem quer medir só a nomofobia usa instrumentos próprios, como o NMP-Q.

“Vício” também é palavra de uso popular. Nem o DSM-5 nem a CID-11 trazem dependência de celular como diagnóstico. A pesquisa ainda discute se esse padrão é uma dependência comportamental, um problema de controle dos impulsos ou a face visível de outra coisa, como ansiedade, humor baixo, dificuldade de atenção ou solidão.

Por que é tão difícil largar o celular

Boa parte do que existe no celular foi desenhada para prender a atenção. A notificação chega em hora incerta, o feed não tem fim, o vídeo seguinte começa sozinho. Recompensas que vêm de vez em quando, sem aviso, são das mais difíceis de ignorar: você confere dez vezes sem nada novo e, na décima primeira, há uma mensagem. Esse padrão ensina o cérebro a continuar conferindo.

Some a isso o fato de que o celular resolve muita coisa ao mesmo tempo. Ele distrai do tédio, alivia a ansiedade por alguns segundos, preenche o silêncio numa fila, dá a sensação de estar por dentro. Nada disso é defeito de caráter. É por isso que força de vontade, sozinha, costuma render pouco, e que mudanças de ambiente, como desligar notificações, tirar o aparelho do quarto ou criar horários sem tela, costumam ajudar mais.

Quando o uso vira problema

Três sinais separam o uso intenso do uso problemático. O primeiro é a perda de controle: usar por mais tempo do que pretendia, de novo e de novo. O segundo é o prejuízo: trabalho, estudo, sono ou relações começam a pagar a conta. O terceiro é o desconforto na falta: irritação, inquietação, a cabeça voltando para o aparelho mesmo quando ele não está na mão. A SAS-SV pergunta exatamente por esses três pontos, em frases do dia a dia.

Para quem é o teste — e quando não usar

É para adultos que querem olhar com mais precisão para o próprio uso do celular: quem sente que perde horas sem perceber, quem já ouviu de alguém próximo que não larga o celular, quem quer um ponto de partida antes de mudar hábitos. O MindScan™ é para maiores de 18 anos. A escala original nasceu com adolescentes, mas aqui ela é respondida por adultos, sobre si mesmos.

Não use o resultado:

  • para rotular outra pessoa: as frases precisam ser respondidas por quem usa o aparelho;
  • como argumento numa discussão, do tipo “viu, o teste mostrou que você é viciado”;
  • no lugar de uma conversa com um profissional, se o celular já está ligado a sofrimento importante, sono muito prejudicado ou queda forte no trabalho ou nos estudos.

Como funciona

São 10 frases sobre o seu uso atual do celular, sem uma janela de tempo fixa. Para cada uma, você marca o quanto concorda, numa escala de 6 pontos: discordo totalmente, discordo, discordo um pouco, concordo um pouco, concordo e concordo totalmente. Não há opção neutra; é assim no original, e isso pede que você escolha um lado.

A pontuação é a soma das respostas, de 10 a 60. Nenhuma frase é invertida: quanto mais alta a soma, mais sinais de uso problemático. Leva cerca de 2 minutos. As frases estão logo abaixo, na íntegra, do jeito que aparecem no teste. Três delas (a 4, a 7 e a 8) foram adaptadas na versão brasileira, e a 8 cita WhatsApp e Instagram.

Como interpretar o resultado

O resultado cai em uma de três faixas, definidas pelos cortes do estudo original: 31 para meninos e 33 para meninas. O MindScan™ usa os mesmos números, 31 para homens e 33 para mulheres.

Pontuação Faixa O que o resultado diz
10 a 30 Abaixo dos cortes de referência Por esta escala, seu uso do celular não aparece como problemático.
31 a 32 Entre os cortes de referência A pontuação fica entre os dois cortes. Vale observar o quanto o celular toma o lugar de outras coisas no seu dia.
33 a 60 Acima dos cortes de referência Suas respostas mostram sinais de uso problemático: dificuldade de ficar sem o aparelho, perda de controle do tempo e prejuízo em outras áreas.

Em qualquer faixa, o texto do resultado repete a ressalva: os cortes vieram de adolescentes coreanos, e no Brasil ainda não há corte validado para adultos. Na própria validação brasileira, 39,4% das pessoas ficaram acima dos cortes, um número alto que reforça a cautela ao aplicar cortes de outra população. Por isso, além da faixa, vale olhar para as frases em que você deu notas mais altas: elas dizem onde o celular pesa mais.

Na faixa mais alta, o resultado sugere ler como sinal, não como diagnóstico, e, se o uso pesa no seu dia, conversar com um profissional.

O que este teste não faz

  • Não diagnostica. Não existe diagnóstico oficial de vício em celular, e a SAS-SV é um instrumento de rastreio.
  • Não mede tempo de tela. Duas pessoas com as mesmas horas de uso podem ter pontuações muito diferentes. O que conta é a perda de controle e o prejuízo.
  • Não mede a nomofobia isoladamente. Toca nela, mas mede o uso problemático como um todo.
  • Não explica a causa. O uso excessivo do celular muitas vezes é a ponta visível de outra coisa: ansiedade, humor baixo, tédio, solidão, dificuldade de atenção. A escala mostra o padrão, não o porquê.
  • Não tem corte brasileiro para adultos. Além disso, a estrutura estatística da escala na amostra brasileira ficou abaixo do recomendado, embora a confiabilidade tenha sido boa.

Nomofobia × ansiedade

Quando a falta do celular traz aperto no peito, inquietação e pensamentos repetitivos (“e se alguém precisar de mim?”), a pergunta natural é se aquilo é nomofobia ou ansiedade. Muitas vezes é as duas coisas. O celular vira um regulador: conferir a tela alivia por alguns segundos, e o alívio reforça o hábito de conferir de novo. Com o tempo, a pessoa passa a precisar do aparelho para se sentir tranquila, e não só para se comunicar.

Duas perguntas ajudam a separar. A inquietação aparece só longe do celular, ou em muitas outras situações também? E quando o celular está na mão, a tensão some ou continua? Se a ansiedade está espalhada pelo dia, vale olhar para ela diretamente no teste de ansiedade. E se o seu tempo de tela é sobretudo jogo, o teste de vício em jogos usa uma escala feita para isso.

Próximo passo

Responda as 10 frases e veja onde a sua pontuação cai. Se quiser contexto, o mapa completo do MindScan™ coloca o uso do celular ao lado das outras dimensões, como sintomas, temperamento e impulsividade, e ajuda a ver se o aparelho é a questão principal ou o sinal de outra coisa. Se o resultado pesa no seu dia, leve-o para uma conversa com um profissional de saúde mental. Rastreio, não diagnóstico.

As 10 perguntas do teste

Por favor, assinale qual das afirmações abaixo de uma escala de 1 (discordo totalmente) a 6 (concordo totalmente) se aplica ao seu uso de celular.

Ver todas as perguntas
  1. Deixo de fazer tarefas ou trabalhos planejados devido ao uso do celular.
  2. Tenho dificuldade para me concentrar na aula, nas lições de casa ou no trabalho devido ao uso do celular.
  3. Sinto dor nos punhos ou pescoço enquanto uso o celular.
  4. Não há nada mais difícil do que ficar sem meu celular.
  5. Eu fico impaciente e irritado quando estou sem meu celular.
  6. Fico pensando no meu celular mesmo quando não o estou usando.
  7. Eu nunca vou deixar de usar meu celular, mesmo se este uso cause problemas ou efeitos negativos na minha vida.
  8. Tenho que checar constantemente meu celular para não perder as publicações nas redes sociais (WhatsApp, Twitter, Facebook, Instagram, por exemplo).
  9. Uso meu celular por mais tempo que pretendia.
  10. As pessoas à minha volta me dizem que uso excessivamente o celular.

Perguntas frequentes

O que é nomofobia?

Nomofobia é o desconforto, às vezes ansiedade de verdade, de ficar sem o celular: sem bateria, sem sinal ou longe do aparelho. O nome vem do inglês no mobile phone phobia. Não é um diagnóstico oficial, e sim um termo popular para descrever esse padrão.

Como saber se sou viciado em celular?

Mais do que as horas de tela, olhe para o custo: tarefas adiadas, sono atrasado, concentração que escapa, irritação longe do aparelho e pessoas próximas reclamando do seu uso. A SAS-SV reúne esses sinais em 10 frases e compara sua pontuação com cortes de referência. É um rastreio, não um diagnóstico.

Quais são os sintomas da nomofobia?

Os sinais mais comuns são conferir o celular o tempo todo, sentir aperto quando a bateria acaba ou o sinal some, ficar inquieto(a) longe do aparelho e desbloquear a tela por reflexo, sem motivo. Sozinhos, são comuns e dizem pouco. Passam a contar quando são intensos e atrapalham a rotina.

Nomofobia é doença? Tem CID?

Não. Nomofobia e dependência de celular não aparecem como diagnóstico no DSM-5 nem na CID-11. A pesquisa ainda discute se o uso problemático do smartphone é uma dependência comportamental ou a expressão de outros quadros, como ansiedade e depressão.

Qual a diferença entre nomofobia e vício em celular?

Nomofobia é o medo ou o desconforto de ficar sem o aparelho. Vício em celular, ou uso problemático, é o padrão em que o uso escapa do controle e traz prejuízo. Os dois costumam andar juntos; a SAS-SV toca nos dois, mas mede principalmente o segundo.

O teste de vício em celular é confiável?

A SAS-SV tem validação publicada, inclusive no Brasil (Andrade e colaboradores, 2020), com boa confiabilidade. Os limites: os cortes vêm de adolescentes coreanos, não há corte brasileiro para adultos e a estrutura estatística na amostra brasileira foi fraca. Use o resultado como sinal, não como veredito.

Quantas horas de celular por dia é demais?

Não existe um número validado. Quatro horas de celular a trabalho podem não custar nada, e uma hora tirada do sono pode custar muito. Por isso a SAS-SV não pergunta horas: pergunta o que o uso faz com o resto da sua vida.

Vício em celular tem tratamento?

O uso problemático costuma ceder com mudanças de hábito e, quando há sofrimento ou prejuízo, com acompanhamento profissional, em geral psicoterapia. Quando o celular serve de válvula para ansiedade, humor baixo ou dificuldade de atenção, cuidar disso também faz diferença. Um profissional ajuda a separar uma coisa da outra.

O teste serve para adolescentes?

A SAS-SV nasceu num estudo com adolescentes, mas o MindScan™ é só para maiores de 18 anos, e cada pessoa responde sobre si mesma. Para olhar o uso de um filho ou filha, o caminho é conversar com um profissional que atenda essa faixa etária.

Quanto tempo leva o teste? É de graça?

São 10 frases e cerca de 2 minutos. O teste é gratuito e o resultado aparece na hora, com a pontuação de 10 a 60 e a faixa em que ela cai.

Instrumento e referências

SAS-SV, Escala de Dependência de Smartphone (versão curta) — instrumento com validação publicada. Kwon e colaboradores (2013), versão brasileira de Andrade e colaboradores (2020), ambas sob licença CC BY. Os pontos de corte vêm de adolescentes coreanos; não há corte brasileiro para adultos.

  1. Kwon M, Kim DJ, Cho H, Yang S. The Smartphone Addiction Scale: development and validation of a short version for adolescents. PLoS One. 2013;8(12):e83558. doi:10.1371/journal.pone.0083558
  2. Andrade ALM, Kim DJ, Caricati VV, Martins GDG, Kirihara IK, Barbugli BC, et al. Validity and reliability of the Brazilian version of the Smartphone Addiction Scale-Short Version for university students and adult population. Estud Psicol (Campinas). 2020;37:e190117. doi:10.1590/1982-0275202037e190117
  3. King ALS, Valença AM, Silva ACO, Baczynski T, Carvalho MR, Nardi AE. Nomophobia: dependency on virtual environments or social phobia? Comput Human Behav. 2013;29(1):140-4. doi:10.1016/j.chb.2012.07.025
  4. Yildirim C, Correia AP. Exploring the dimensions of nomophobia: development and validation of a self-reported questionnaire. Comput Human Behav. 2015;49:130-7. doi:10.1016/j.chb.2015.02.059

Curadoria científica

Dr. David Sosa Dias, psiquiatra

CRM-RJ 52.86494-3 · RQE 19051. Formação no IPUB/UFRJ e coautoria da validação brasileira do MSI-BPD. Responsável técnico pelo MindScan™ e pela escolha dos instrumentos. Conheça.

Atualizado em 23 de outubro de 2026 · revisão clínica: Dr. David Sosa Dias.

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