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O que o Maudsley Staging Method mede
O Maudsley Staging Method (MSM) é um modelo de estadiamento da depressão resistente ao tratamento. Em vez de perguntar só quantos antidepressivos falharam, ele combina três fatores do episódio atual: a duração, a gravidade dos sintomas e a história de tratamentos que não funcionaram, incluindo estratégias de reforço.
No MindScan™, o que roda é uma adaptação para rastreio, chamada internamente MSM-DRT: 10 perguntas de sim ou não que seguem a lógica do modelo.
Quem criou e validação
O MSM foi publicado por Abebaw Fekadu e colaboradores, do Instituto de Psiquiatria do King’s College London, em 2009. O modelo pontua a duração do episódio em três níveis, a gravidade em cinco e os antidepressivos usados em dose e tempo adequados em cinco, somando pontos para potencialização e para eletroconvulsoterapia.
A adaptação do MindScan™ é autoral. Ela não traduz os itens do MSM, que é preenchido pelo clínico, e sim transforma cada nível do modelo numa pergunta de sim ou não que a própria pessoa consegue responder. Não há validação publicada dessa adaptação.
As perguntas
São 10 afirmações sobre o episódio depressivo atual, respondidas com Sim ou com Não / Não se aplica, em três blocos:
- Duração e gravidade (perguntas 1 a 5): se o episódio passa de 12 e de 24 meses, se afeta trabalho, estudos ou relações, se os sintomas são graves e se houve sintomas psicóticos neste episódio.
- Refratariedade (perguntas 6 a 8): se já foram tentados 2, 3 ou 4 ou mais antidepressivos diferentes, em dose adequada e por 4 a 6 semanas cada, sem melhora satisfatória.
- Escalada terapêutica (perguntas 9 e 10): se já houve potencialização (outro medicamento somado ao antidepressivo) e se já foi feita eletroconvulsoterapia.
As perguntas 1 e 2 e 6 a 8 são encadeadas: quem responde sim para 24 meses também responde sim para 12, e o peso fica cumulativo. Leva cerca de três minutos.
Como pontuar
Cada sim vale 1 ponto; não e não se aplica valem 0. O total vai de 0 a 10. O MindScan™ mostra também os três blocos separados, para a pessoa ver se o que mais pesou foi a duração, o número de tratamentos ou a escalada.
No MSM original, para comparação, a soma vai de 3 a 15 e os autores propuseram três estágios: leve (3 a 6), moderado (7 a 10) e grave (11 a 15). A adaptação não reproduz essa pontuação.
Faixas e pontos de corte
| Pontuação | Leitura no MindScan™ |
|---|---|
| 0 a 3 | Refratariedade baixa |
| 4 a 6 | Refratariedade moderada |
| 7 a 10 | Refratariedade alta |
Na faixa baixa, o padrão não caracteriza depressão resistente, e ainda há o que revisar com o médico. Na moderada, é compatível com depressão resistente provável. Na alta, houve várias tentativas sem a melhora esperada, e o quadro costuma ser acompanhado em serviço especializado. Essas faixas são da adaptação, não do MSM, e não têm validação própria.
O que o resultado não diz
- Não confirma depressão resistente: a confirmação depende de rever a história de tratamentos em detalhe, com um psiquiatra.
- Não é o MSM original nem foi validado nesta forma.
- Não indica tratamento e não justifica parar, trocar ou ajustar qualquer medicação por conta própria.
Como o MindScan™ usa a adaptação do Maudsley
A adaptação fica na dimensão Sintomas do mapa MindScan™, como aprofundamento para adultos que já estão em tratamento de depressão e não tiveram a melhora esperada. Quem nunca fez tratamento vai pontuar baixo por definição, porque metade das perguntas fala de tratamentos já feitos; nesse caso, o caminho é o teste de depressão com o PHQ-9. Ter a lista de tratamentos à mão ajuda a responder e ajuda ainda mais na consulta. É gratuito e sai na hora.
Perguntas frequentes
O que é o Maudsley Staging Method? É um modelo publicado por Fekadu e colaboradores em 2009 para quantificar a resistência ao tratamento na depressão, combinando duração do episódio, gravidade dos sintomas e tratamentos que não funcionaram.
O teste do MindScan™ é o MSM? Não. O MSM é preenchido pelo clínico, com níveis de pontuação. O MindScan usa uma adaptação autoral em 10 perguntas de sim ou não, para a própria pessoa responder, sem validação nesta forma. O resultado é orientação, não medida.
Quantos antidepressivos precisam falhar para ser depressão resistente? A definição mais usada fala em pelo menos dois antidepressivos diferentes, em dose e tempo adequados, sem melhora satisfatória.
O que é potencialização? É quando outro medicamento é somado ao antidepressivo para reforçar o efeito, em vez de trocar um pelo outro. Esta página não nomeia medicamentos de propósito: essa decisão é do médico que acompanha cada pessoa.
O que fazer com um resultado moderado ou alto? Levar a pontuação e a lista de tratamentos a um psiquiatra, de preferência com experiência em depressão resistente. Nenhuma mudança de medicação deve ser feita por conta própria, qualquer que seja o resultado.
Referências
- Fekadu A, Wooderson S, Donaldson C, Markopoulou K, Masterson B, Poon L, Cleare AJ. A multidimensional tool to quantify treatment resistance in depression: the Maudsley staging method. Journal of Clinical Psychiatry. 2009;70(2):177-184. doi:10.4088/JCP.08m04309
- Thase ME, Rush AJ. When at first you don’t succeed: sequential strategies for antidepressant nonresponders. Journal of Clinical Psychiatry. 1997;58 Suppl 13:23-29.
Curadoria científica
Dr. David Sosa Dias, psiquiatra
CRM-RJ 52.86494-3 · RQE 19051. Formação no IPUB/UFRJ e coautoria da validação brasileira do MSI-BPD. Responsável técnico pelo MindScan™ e pela escolha dos instrumentos. Conheça.
Atualizado em 30 de outubro de 2026 · revisão clínica: Dr. David Sosa Dias.
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Teste de depressão resistente ao tratamentoDez perguntas de sim ou não sobre o episódio depressivo atual — quanto tempo dura, quanto pesa e o que já foi tentado — para ver se o padrão se parece com depressão resistente ao tratamento. Uma adaptação para rastreio, sem validação própria: não é diagnóstico.Outros instrumentos
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Como os instrumentos são escolhidos e lidos está na metodologia; a lista completa, com dimensão e número de perguntas, no catálogo.
