Instrumento

PHQ-9 (Patient Health Questionnaire-9)

O PHQ-9 é o questionário de 9 perguntas mais usado no mundo para rastrear sintomas depressivos nas últimas 2 semanas. Esta página explica de onde ele vem, como se pontua e o que cada faixa quer dizer.

9 perguntas · dimensão Sinais e sintomas · rastreio, não diagnóstico

O que o PHQ-9 mede

O PHQ-9 (Patient Health Questionnaire-9, Questionário sobre a Saúde do Paciente) mede a intensidade dos sintomas depressivos nas últimas 2 semanas. Cada uma das 9 perguntas corresponde a um dos 9 sinais que o DSM-5, o manual de referência da psiquiatria, usa para descrever um episódio depressivo: pouco interesse ou prazer, humor para baixo, sono, energia, apetite, sentimento de fracasso, concentração, lentidão ou agitação, e pensamentos de morte ou de se ferir.

Ele não mede a causa dos sintomas nem a história de vida: mede o peso dos sinais num período curto. No MindScan™, é a escala de aprofundamento da área de humor e prazer.

Quem criou e validação

O PHQ-9 foi publicado em 2001 por Kurt Kroenke, Robert Spitzer e Janet Williams, a partir do PRIME-MD, um instrumento maior de atenção primária. No estudo original, com mais de 6.000 pacientes, o corte de 10 pontos teve sensibilidade e especificidade de 88% para episódio depressivo maior. A escala é de domínio público: a Pfizer, que financiou o desenvolvimento, liberou o uso sem licença.

No Brasil, Iná Santos e colaboradores (2013) estudaram a sensibilidade e a especificidade da versão em português em adultos da população geral de Pelotas, confirmando o desempenho fora do ambiente clínico.

As perguntas

São 9 perguntas sob a instrução “Nas últimas 2 semanas, com que frequência você foi incomodado(a) por…”, cada uma com quatro opções:

  • Nenhuma vez: 0
  • Alguns dias na semana: 1
  • Mais da metade dos dias: 2
  • Quase todos os dias: 3

As duas primeiras (pouco prazer e humor para baixo) formam o PHQ-2, a versão ultracurta. A nona trata de pensamentos de morte ou de se ferir e recebe leitura própria.

Como pontuar

Soma-se o valor das 9 respostas. O total vai de 0 a 27, sem itens invertidos nem pesos. O item 9 entra na soma como os outros, mas qualquer resposta diferente de “Nenhuma vez” nele merece atenção independente do total.

Faixas e pontos de corte

As faixas são as do estudo original de Kroenke e colaboradores (2001):

Pontuação Faixa Leitura
0 a 4 Mínima Sintomas ausentes ou muito leves
5 a 9 Leve Sintomas presentes, abaixo do corte
10 a 14 Moderada A partir de 10: provável episódio depressivo, vale investigar
15 a 19 Moderadamente grave Intensidade alta, investigar em breve
20 a 27 Grave Intensidade muito alta, prioridade para conversar com um profissional

O corte de 10 é o mais usado na literatura e o que o MindScan™ adota. Abaixo dele, sintomas ainda podem estar presentes; acima, o resultado indica investigar, não um nome para o que acontece.

O que o resultado não diz

O PHQ-9 não fecha diagnóstico. Ele não distingue um episódio depressivo de outras situações com sintomas parecidos, como luto, hipotireoidismo, privação de sono, uso de substâncias ou a fase depressiva de um quadro bipolar. Também não cobre a duração dos sintomas além das 2 semanas nem o impacto deles na vida. Um resultado baixo não exclui depressão; um resultado alto não a confirma.

Como o MindScan™ usa o PHQ-9

No MindScan™, o PHQ-9 fica na dimensão Sintomas. Você pode respondê-lo direto, pela página do teste de depressão, ou chegar a ele pelo escaneamento de funcionamento, que percorre 11 áreas do dia a dia: quando as perguntas de humor e prazer (o PHQ-2) somam 3 pontos ou mais, ou quando ansiedade, energia ou memória se destacam, o PHQ-9 entra primeiro na trilha, porque traz a pergunta sobre pensamentos de morte.

A leitura usa as cinco faixas originais. O item 9 recebe orientação proporcional à resposta: “Alguns dias na semana” abre uma orientação de cuidado no resultado; marcações mais frequentes, ou um total de 20 pontos ou mais, abrem uma orientação de prioridade. O teste é gratuito e o resultado aparece na hora.

Fazer o teste gratuito →

Perguntas frequentes

O PHQ-9 é confiável? É um dos instrumentos de rastreio de depressão mais estudados do mundo, validado em dezenas de países e em adultos da população geral brasileira. Confiável como rastreio quer dizer que aponta bem quem merece investigar, não que substitui a avaliação com um profissional.

Qual pontuação do PHQ-9 indica depressão? Nenhuma pontuação indica depressão por si só. A partir de 10 pontos, a literatura considera provável um episódio depressivo e recomenda avaliação; as faixas de 5 em 5 pontos descrevem a intensidade dos sinais.

Qual a diferença entre PHQ-9 e PHQ-2? O PHQ-2 usa só as duas primeiras perguntas como filtro rápido: 3 pontos ou mais indicam aplicar o PHQ-9 completo. O MindScan™ usa o PHQ-2 dentro do escaneamento de funcionamento.

O PHQ-9 serve para acompanhar o tratamento? Sim. Como olha para as últimas 2 semanas, pode ser repetido a cada algumas semanas; uma queda de 5 pontos ou mais costuma ser considerada mudança relevante. Quem interpreta essa mudança é o profissional que acompanha a pessoa.

O que acontece quando o item 9 é marcado? Qualquer resposta diferente de “Nenhuma vez” na pergunta sobre pensar em se ferir ou em estar morto(a) recebe orientação própria no resultado, proporcional à frequência marcada, com o próximo passo indicado com clareza.

Referências

  • Kroenke K, Spitzer RL, Williams JBW. The PHQ-9: validity of a brief depression severity measure. J Gen Intern Med. 2001;16(9):606-613. doi:10.1046/j.1525-1497.2001.016009606.x
  • Santos IS, Tavares BF, Munhoz TN, Almeida LSP, Silva NTB, Tams BD, et al. Sensibilidade e especificidade do Patient Health Questionnaire-9 (PHQ-9) entre adultos da população geral. Cad Saúde Pública. 2013;29(8):1533-1543. doi:10.1590/S0102-311X2013001200006
  • Kroenke K, Spitzer RL, Williams JBW. The Patient Health Questionnaire-2: validity of a two-item depression screener. Med Care. 2003;41(11):1284-1292. doi:10.1097/01.MLR.0000093487.78664.3C
  • American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5th edition (DSM-5). Arlington: APA; 2013. doi:10.1176/appi.books.9780890425596

Curadoria científica

Dr. David Sosa Dias, psiquiatra

CRM-RJ 52.86494-3 · RQE 19051. Formação no IPUB/UFRJ e coautoria da validação brasileira do MSI-BPD. Responsável técnico pelo MindScan™ e pela escolha dos instrumentos. Conheça.

Atualizado em 30 de outubro de 2026 · revisão clínica: Dr. David Sosa Dias.

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