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- 9 perguntas
- ~2 min
- Validado no Brasil
- Gratuito
- Resultado na hora
O que o teste de depressão (PHQ-9) mostra
O PHQ-9 (Patient Health Questionnaire-9) foi publicado em 2001 por Kurt Kroenke, Robert Spitzer e Janet Williams. A ideia é direta: cada uma das 9 perguntas corresponde a um dos 9 critérios usados para identificar um episódio depressivo no manual diagnóstico da Associação Americana de Psiquiatria. Você diz com que frequência cada sinal apareceu nas últimas 2 semanas, cada resposta vale de 0 a 3, e a soma — de 0 a 27 — mostra a intensidade dos sintomas depressivos nesse período.
É de domínio público, usa a tradução oficial em português e foi validado no Brasil em adultos da população geral (Santos e colaboradores, 2013). Por isso aparece em tantos serviços de saúde: é curto, estudado e fácil de repetir para acompanhar mudanças.
No MindScan™, o PHQ-9 fica na dimensão Sintomas. Você pode chegar a ele direto, por esta página, ou pelo escaneamento de funcionamento, quando humor, prazer ou energia se destacam. É rastreio, não diagnóstico: mostra quanto os sinais pesaram, não o nome do que está acontecendo.
Um número, três grupos
A pontuação validada é o total. Mas olhar as perguntas em grupos ajuda a entender de onde esse total vem — duas pessoas com 12 pontos podem ter desenhos bem diferentes:
- O núcleo (itens 1 e 2): prazer e humor. Juntos, formam o PHQ-2.
- O corpo (itens 3, 4, 5 e 8): sono, energia, apetite e ritmo dos movimentos.
- O pensamento (itens 6, 7 e 9): como você se vê, a concentração e pensamentos de morte.
Onde o PHQ-9 entra no mapa
O MindScan organiza o que você sente em dimensões, e o PHQ-9 é o aprofundamento da dimensão de humor. No escaneamento de funcionamento, quatro caminhos levam até ele: humor e prazer somando 3 pontos ou mais nas duas primeiras perguntas (o corte do PHQ-2), ansiedade em destaque (porque ansiedade e humor deprimido costumam andar juntos), motivação e energia em baixa e esquecimentos frequentes (que podem vir do humor, não só da atenção). Em todos esses casos, o PHQ-9 entra primeiro na trilha. A razão é clínica: é a escala que traz a pergunta sobre pensamentos de morte, e essa resposta tem prioridade sobre todas as outras.
Responder o PHQ-9 dentro do escaneamento tem uma vantagem: a pontuação aparece ao lado das outras dimensões. Um 12 com sono e foco preservados conta uma história; um 12 com sono, energia e memória em alteração conta outra.
Sinais de depressão: as 9 perguntas do PHQ-9, uma a uma
Todas as perguntas começam com o mesmo enunciado — “Nas últimas 2 semanas, com que frequência você foi incomodado(a) por…” — e todas usam as mesmas quatro respostas. O que muda é o sinal observado.
1. Pouco interesse ou pouco prazer
É um dos sinais que mais ajudam a separar depressão de tristeza comum. Não é desânimo com uma tarefa chata: é perceber que coisas que antes tinham graça — um encontro, uma série, um hobby, a comida preferida — ficaram sem cor. Muita gente só nota quando para para pensar no que deixou de fazer.
2. Para baixo, deprimido(a) ou sem perspectiva
O humor de fundo. Pode aparecer como tristeza, mas também como vazio, desesperança ou a sensação de que nada vai mudar. Em algumas pessoas, o que aparece por fora é mais irritação do que tristeza. Os itens 1 e 2 são o núcleo: o quadro depressivo depende de pelo menos um deles.
3. Sono
A pergunta vale nos dois sentidos: dificuldade para pegar no sono ou para permanecer dormindo, ou dormir muito mais do que o costume. Acordar de madrugada sem conseguir voltar a dormir e passar o fim de semana inteiro na cama contam igualmente.
4. Cansaço ou pouca energia
Um cansaço que o descanso não resolve. Tarefas pequenas — tomar banho, responder uma mensagem — passam a exigir esforço desproporcional. É um dos sinais mais relatados e um dos que mais atrapalham o trabalho.
5. Apetite
De novo, nos dois sentidos: falta de vontade de comer ou comer demais. Mudanças de peso sem motivo aparente costumam acompanhar esse item.
6. Como você se vê
Sentir-se mal consigo mesmo(a), achar que é um fracasso ou que decepcionou a família ou a si mesmo(a). A depressão muda a lente: os mesmos fatos passam a ser lidos com mais culpa e menos generosidade.
7. Concentração
Dificuldade para acompanhar uma leitura, um filme ou uma conversa. Na depressão, a atenção costuma falhar porque a cabeça está pesada ou ocupada com pensamentos negativos — diferente do padrão de distração que aparece desde a infância em outros quadros.
8. Lentidão ou agitação
Falar ou se mover tão devagar que outras pessoas percebem — ou o oposto, uma inquietação que não deixa ficar parado. O detalhe importa: a pergunta pede uma mudança visível de fora, não só uma sensação interna.
9. Pensamentos de morte ou de se ferir
O item 9 pergunta se, nas últimas 2 semanas, você pensou em se ferir de alguma maneira ou que seria melhor estar morto(a). Ele está ali porque esses pensamentos fazem parte do quadro que a escala rastreia, e responder com sinceridade é o que permite cuidar deles. Ter esse tipo de pensamento não é motivo de vergonha — e é exatamente o tipo de coisa que um profissional está preparado para ouvir.
Quando o item 9 é marcado, o MindScan responde de forma proporcional:
- Em alguns dias: o teste segue normalmente, e o resultado traz um cartão com a orientação de conversar com um profissional, sem deixar para depois.
- Em mais da metade dos dias ou quase todos os dias: o teste faz uma pausa para mostrar caminhos de ajuda imediata antes de continuar, e o resultado coloca essa orientação em primeiro lugar. O mesmo vale quando a pontuação total chega à faixa grave, mesmo sem o item 9.
Em qualquer caso, a orientação vem antes de qualquer outra informação do resultado.
Para quem é o teste — e quando não usar
O PHQ-9 é para adultos que querem saber quanto os sinais de depressão pesaram nas últimas 2 semanas. Faz sentido se você:
- está há algumas semanas sem ânimo, sem prazer ou sem energia;
- quer chegar a uma consulta com algo concreto para mostrar;
- já está em acompanhamento e quer registrar como os sintomas evoluem;
- fez o escaneamento de funcionamento e o resultado sugeriu este aprofundamento.
Quando não usar, ou não usar sozinho:
- Se está passando por um momento de crise agora. Um questionário não é o melhor primeiro passo: procure atendimento presencial ou alguém de confiança.
- Se ainda não completou 18 anos. O MindScan é para adultos.
- Para decidir sozinho(a) sobre remédio ou tratamento. O resultado é um ponto de partida para a conversa clínica, não uma conclusão.
Como funciona
- 9 perguntas, sobre as últimas 2 semanas.
- Quatro respostas: Nenhuma vez (0), Alguns dias na semana (1), Mais da metade dos dias (2) e Quase todos os dias (3).
- Pontuação de 0 a 27, pela soma simples.
- Tempo: cerca de 2 minutos.
- Resultado na hora, com a pontuação, a faixa e um texto de leitura.
Responda pela frequência real dos últimos 14 dias, não pelo dia de hoje. Se um sinal tem outra causa clara — uma lesão que atrapalha o sono, por exemplo —, marque mesmo assim e anote o contexto para a conversa clínica.
Como interpretar o resultado
As faixas são as do estudo original de Kroenke e colaboradores (2001):
| Pontuação | Faixa |
|---|---|
| 0 a 4 | mínima |
| 5 a 9 | leve |
| 10 a 14 | moderada |
| 15 a 19 | moderadamente grave |
| 20 a 27 | grave |
O número que mais importa é o 10. A partir dele, a literatura considera provável um episódio depressivo que merece avaliação clínica estruturada — no estudo original, esse corte teve sensibilidade e especificidade de 88%. Na prática, seu mapa mostraria algo como: “Sua pontuação foi 13/27 — faixa moderada”.
Abaixo de 10, o resultado fica abaixo do corte usado para suspeita de episódio depressivo, mas isso não exclui depressão: sintomas podem estar presentes sem atingir o corte, e o PHQ-9 cobre só as últimas 2 semanas. Se a pontuação é baixa e mesmo assim algo não vai bem, isso também vale uma conversa.
O que este teste não faz
- Não dá diagnóstico. Mostra intensidade de sintomas; o diagnóstico depende de avaliação clínica.
- Não diferencia tipos de depressão. Um episódio depressivo pode fazer parte de um quadro bipolar, e o PHQ-9 não separa um do outro. Se você já teve fases de energia muito acima do habitual, vale responder também o teste de bipolaridade.
- Não vê causas físicas. Alterações hormonais, anemia, dor crônica e efeitos de medicamentos podem produzir sinais parecidos.
- Não mede resposta a tratamento. Para quem já tentou tratamentos sem a melhora esperada, existe o teste de depressão resistente, que olha para o histórico.
- Não separa luto de depressão. Depois de uma perda, sinais parecidos são esperados; o contexto precisa entrar na conversa.
Tristeza, cansaço ou depressão?
Todo mundo passa por semanas ruins. Três perguntas ajudam a separar uma fase difícil de um padrão que merece atenção. Quanto tempo dura? Tristeza costuma oscilar com os acontecimentos; o humor depressivo se instala e fica na maior parte dos dias. O prazer sumiu? Numa fase cansativa, o fim de semana ainda recarrega; na depressão, até o que era bom perde a graça. A vida saiu do lugar? Quando trabalho, estudo, relações e cuidado com você mesmo(a) começam a falhar, o sinal é mais forte. O PHQ-9 organiza essas respostas num número — e o número ajuda a decidir se é hora de conversar com alguém.
Próximo passo
Faça o PHQ-9 e veja onde sua pontuação cai. Se quiser o quadro mais amplo, o escaneamento de funcionamento mostra humor e outras 10 áreas lado a lado, e o mapa completo do MindScan vai além dos sintomas. Se a pontuação ficar em 10 ou mais, ou se algo no resultado chamar sua atenção, leve-o para uma conversa com um profissional. Rastreio, não diagnóstico — mas um bom começo.
As 9 perguntas do teste
Nas últimas 2 semanas, com que frequência você foi incomodado(a) por…
Ver todas as perguntas
- Pouco interesse ou pouco prazer em fazer as coisas.
- Se sentir para baixo, deprimido(a) ou sem perspectiva.
- Dificuldade para pegar no sono, para permanecer dormindo, ou dormir muito mais do que de costume.
- Se sentir cansado(a) ou com pouca energia.
- Falta de apetite ou comer demais.
- Se sentir mal consigo mesmo(a) — ou achar que você é um fracasso ou que decepcionou sua família ou você mesmo(a).
- Dificuldade para se concentrar nas coisas, como ler o jornal ou ver televisão.
- Lentidão para se movimentar ou falar a ponto das outras pessoas perceberem? Ou o oposto — estar tão agitado(a) que você fica andando de um lado para o outro muito mais do que de costume.
- Pensar em se ferir de alguma maneira ou que seria melhor estar morto(a).
Perguntas frequentes
Como saber se estou com depressão?
O sinal mais importante é a combinação de humor para baixo ou perda de prazer na maior parte dos dias, por pelo menos duas semanas, junto com mudanças no sono, na energia, no apetite ou na concentração. O PHQ-9 organiza exatamente esses sinais e mostra a intensidade deles. A confirmação, porém, só vem de uma avaliação com um profissional.
O teste de depressão PHQ-9 é confiável?
O PHQ-9 é um dos instrumentos de rastreio de depressão mais estudados do mundo. No estudo original, o corte de 10 pontos teve sensibilidade e especificidade de 88%, e a versão em português foi validada no Brasil em adultos da população geral. Confiável como rastreio não quer dizer diagnóstico: ele indica quando vale investigar.
Quantos pontos no PHQ-9 indicam depressão?
A partir de 10 pontos, a literatura considera provável um episódio depressivo que merece avaliação clínica estruturada. As faixas são: 0 a 4 mínima, 5 a 9 leve, 10 a 14 moderada, 15 a 19 moderadamente grave e 20 a 27 grave. Abaixo de 10, sintomas ainda podem estar presentes.
O que significa o item 9 do PHQ-9?
É a pergunta sobre pensar em se ferir ou que seria melhor estar morto(a) nas últimas 2 semanas. Ela está na escala porque esses pensamentos fazem parte do quadro que o PHQ-9 rastreia. Quando o item é marcado, o resultado traz uma orientação proporcional à resposta, com o próximo passo indicado com clareza.
Qual a diferença entre o PHQ-9 e a escala de Beck?
São instrumentos diferentes. O inventário de depressão de Beck é mais longo e de uso licenciado; o PHQ-9 tem 9 perguntas, é de domínio público e segue os critérios usados para identificar um episódio depressivo. O MindScan usa o PHQ-9.
Teste de depressão online substitui uma consulta?
Não. O teste mostra a intensidade dos sintomas nas últimas 2 semanas, mas não vê sua história, outras condições de saúde nem o contexto de vida. Ele é útil para chegar à consulta com informação organizada.
Quanto tempo leva o teste de depressão?
Cerca de 2 minutos. São 9 perguntas com quatro opções de frequência cada, e o resultado aparece logo em seguida.
O teste de depressão é gratuito?
Sim. O PHQ-9 no MindScan é gratuito, sem custo para ver o resultado.
O que é o PHQ-2?
É a versão de duas perguntas do PHQ-9, feita só com os itens 1 e 2: pouco prazer nas coisas e humor para baixo. O MindScan usa o PHQ-2 dentro do escaneamento de funcionamento; somar 3 pontos ou mais nessas duas perguntas leva ao PHQ-9 completo.
Depressão tem tratamento?
Sim, depressão é tratável, e o caminho e o tempo variam de pessoa para pessoa. Quem define o plano é um profissional, depois de uma avaliação. O teste não trata nem prevê evolução: mostra como os sintomas estão agora.
Posso refazer o teste de depressão?
Pode, e faz sentido refazer depois de algumas semanas, porque o PHQ-9 olha só para as últimas 2 semanas. Comparar pontuações ao longo do tempo mostra se os sintomas estão subindo, estáveis ou diminuindo.
Instrumento e referências
PHQ-9 (Patient Health Questionnaire-9) — instrumento com validação publicada. Kroenke, Spitzer e Williams (2001); validação brasileira em adultos da população geral por Santos e colaboradores (2013). Domínio público, tradução oficial em português.
- Kroenke K, Spitzer RL, Williams JBW. The PHQ-9: validity of a brief depression severity measure. J Gen Intern Med. 2001;16(9):606-13. doi:10.1046/j.1525-1497.2001.016009606.x
- Santos IS, Tavares BF, Munhoz TN, Almeida LSP, Silva NTB, Tams BD, et al. Sensibilidade e especificidade do Patient Health Questionnaire-9 (PHQ-9) entre adultos da população geral. Cad Saúde Pública. 2013;29(8):1533-43. doi:10.1590/S0102-311X2013001200006
- Kroenke K, Spitzer RL, Williams JBW. The Patient Health Questionnaire-2: validity of a two-item depression screener. Med Care. 2003;41(11):1284-92. doi:10.1097/01.MLR.0000093487.78664.3C
Curadoria científica
Dr. David Sosa Dias, psiquiatra
CRM-RJ 52.86494-3 · RQE 19051. Formação no IPUB/UFRJ e coautoria da validação brasileira do MSI-BPD. Responsável técnico pelo MindScan™ e pela escolha dos instrumentos. Conheça.
Atualizado em 30 de outubro de 2026 · revisão clínica: Dr. David Sosa Dias.
Para aprofundar
- Teste de depressão e ansiedadeEscaneamento de funcionamento MindScan™
- Teste de ansiedade (GAD-7)GAD-7 (Generalized Anxiety Disorder 7-item)
- Teste de depressão resistente ao tratamentoRastreio de depressão resistente (adaptado do Maudsley Staging Method)
- Teste de bipolaridadeMindScan · BIP — escala de elevação do humor
- Teste de compulsão alimentarEscala MindScan de compulsão alimentar (MindScan · CAP)
- Teste de síndrome de burnout (OLBI)OLBI (Inventário de Burnout de Oldenburg)
