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- 10 perguntas
- Sim ou não
- ~3 min
- Gratuito
- Resultado na hora
O que o teste de depressão resistente mostra
Este teste olha para a história do episódio depressivo atual, não para os sintomas de hoje. São 10 perguntas de sim ou não sobre três coisas: quanto tempo o episódio dura e o quanto ele pesa, quantos antidepressivos já foram tentados sem a melhora esperada e quais estratégias de reforço já foram usadas. A soma, de 0 a 10, mostra se o padrão se parece com o que a psiquiatria chama de depressão resistente ao tratamento.
As perguntas são uma adaptação, feita para rastreio, de dois modelos de estadiamento. O mais completo é o Maudsley Staging Method, publicado por Fekadu e colaboradores em 2009: ele combina a duração do episódio, a gravidade dos sintomas e os tratamentos que não funcionaram — antidepressivos, potencialização e eletroconvulsoterapia. Antes dele, Thase e Rush (1997) propuseram um estadiamento baseado no número e no tipo de tratamentos sem resposta.
É importante dizer com clareza: esta versão não é o instrumento original e não foi validada nesta forma. O modelo de Maudsley pontua cada fator em níveis; aqui, cada ponto virou uma pergunta de sim ou não, para que você possa responder sozinho(a). O resultado é orientação para uma conversa clínica, não uma medida.
No MindScan™, o teste fica na dimensão Sintomas, como aprofundamento para quem já está em tratamento de depressão.
As três dimensões do resultado
- Duração e gravidade (perguntas 1 a 5): se o episódio passa de 12 e de 24 meses, se atrapalha trabalho, estudos ou relações, se os sintomas são graves a ponto de dificultar o dia a dia e se houve sintomas psicóticos neste episódio.
- Refratariedade (perguntas 6 a 8): quantos antidepressivos diferentes foram usados em dose e tempo adequados sem melhora satisfatória — 2, 3 ou 4 ou mais.
- Escalada terapêutica (perguntas 9 e 10): se já houve potencialização — outro medicamento somado ao antidepressivo para reforçar o efeito — e se já foi feita eletroconvulsoterapia.
Depressão resistente: o que é
A definição de trabalho mais usada é simples: depressão que não melhora o suficiente depois de pelo menos dois antidepressivos diferentes, usados em dose e por tempo adequados. O nome assusta, mas o sentido é prático. “Resistente” não quer dizer “sem saída”. Quer dizer que o primeiro caminho não funcionou e que o próximo precisa ser escolhido com mais cuidado.
Parte da literatura prefere falar em depressão difícil de tratar. A expressão desloca o foco: em vez de perguntar apenas “quantos remédios falharam?”, pergunta “o que está mantendo esta depressão e como reduzir o peso dela no dia a dia?”. As duas ideias convivem. O estadiamento ajuda a dimensionar a história; a visão de depressão difícil de tratar lembra que o objetivo é recuperar o funcionamento, e não só acertar a próxima tentativa. Para você, o recado prático é o mesmo: uma depressão longa, que já atravessou vários tratamentos, merece uma revisão completa — diagnóstico, tratamentos anteriores, condições associadas e contexto de vida —, e não apenas mais uma troca.
Resistente de verdade ou tratamento que não chegou a acontecer?
Antes de falar em resistência, a avaliação costuma conferir se os tratamentos anteriores foram, de fato, tentativas completas. Alguns pontos fazem muita diferença:
- Dose e tempo. Um antidepressivo usado por poucas semanas, ou abaixo da dose em que costuma funcionar, não conta como tentativa completa.
- Uso regular. Esquecimentos, pausas e interrupções por efeitos colaterais mudam a leitura.
- O diagnóstico. Às vezes, o que parece depressão resistente é outro quadro, como uma depressão dentro do espectro bipolar, que pede outra abordagem.
- O que vem junto. Ansiedade intensa, uso de álcool ou outras substâncias, condições clínicas, dor crônica, distúrbios do sono e situações de vida muito pesadas podem manter a depressão mesmo com tratamento adequado.
Por isso o teste pede que você conte só os antidepressivos usados em dose e tempo adequados. Se não souber, marque a resposta que melhor descreve — e leve a dúvida para a consulta.
Por que contar remédios não basta
Duas pessoas que já tentaram três antidepressivos podem estar em situações bem diferentes. Uma está num episódio de oito meses, com sintomas moderados; outra está há três anos num quadro que mal deixa sair de casa. A contribuição do Maudsley Staging Method foi justamente essa: somar duração e gravidade ao número de tratamentos, para que o estadiamento descreva melhor o tamanho do problema. A adaptação do MindScan mantém essa lógica.
Para quem é o teste — e quando não usar
O teste é para adultos num episódio depressivo atual que já fizeram tratamento e não tiveram a melhora esperada. Faz sentido se você:
- está há muitos meses em tratamento sem sentir que saiu do lugar;
- já trocou de antidepressivo mais de uma vez;
- quer organizar a sua história de tratamentos antes de uma consulta;
- ouviu falar em depressão resistente e quer entender se o termo se aplica.
Quando não usar, ou não usar sozinho:
- Se você nunca fez tratamento para depressão. A pontuação vai ficar baixa por definição, porque metade das perguntas fala de tratamentos já feitos. Para medir os sintomas de agora, o caminho é o teste de depressão com o PHQ-9.
- Para decidir sozinho(a) sobre medicação. Nenhum resultado justifica parar, trocar ou ajustar remédio por conta própria.
- Se está passando por um momento de crise agora. Um questionário não é o melhor primeiro passo: procure atendimento presencial ou alguém de confiança.
- Se ainda não completou 18 anos. O MindScan é para adultos.
Como funciona
- 10 afirmações, respondidas com Sim ou Não / Não se aplica.
- Período: o episódio depressivo atual. Não some episódios anteriores separados.
- Perguntas encadeadas, de propósito. As perguntas 1 e 2 (mais de 12 e mais de 24 meses) e as perguntas 6, 7 e 8 (2, 3 e 4 ou mais antidepressivos) vão subindo de nível. Quem responde sim para 24 meses também responde sim para 12; quem tentou 4 antidepressivos também responde sim para 2 e para 3. É assim que o peso fica cumulativo.
- Pontuação de 0 a 10: cada sim vale 1 ponto.
- Tempo: cerca de 3 minutos.
Se não tiver certeza sobre alguma resposta, marque a que melhor descreve a sua situação. Ter a lista de tratamentos à mão — nomes, doses e por quanto tempo foram usados — ajuda a responder e ajuda ainda mais na consulta.
Como interpretar o resultado
| Pontuação | Leitura |
|---|---|
| 0 a 3 | Refratariedade baixa |
| 4 a 6 | Refratariedade moderada |
| 7 a 10 | Refratariedade alta |
- 0 a 3 — baixa. O padrão não caracteriza depressão resistente ao tratamento. Em geral, ainda há o que revisar com o médico: dose, tempo de uso de cada antidepressivo e o próprio diagnóstico.
- 4 a 6 — moderada. Compatível com depressão resistente ao tratamento provável — em geral, sem melhora depois de dois ou mais antidepressivos em dose e tempo adequados. Vale conversar com um psiquiatra experiente nesse tipo de quadro sobre as próximas estratégias.
- 7 a 10 — alta. Várias tentativas de tratamento sem a melhora esperada e, muitas vezes, um quadro longo. Esse perfil costuma ser acompanhado em serviço especializado em depressão resistente, e vale buscar essa avaliação em breve.
Em todas as faixas, o resultado é rastreio, não diagnóstico. O resultado também mostra as três dimensões separadas, para você ver se o que mais pesou foi a duração, o número de tratamentos ou a escalada.
O que este teste não faz
- Não confirma depressão resistente. A confirmação depende de rever a história de tratamentos em detalhe, com um profissional.
- Não foi validado nesta forma. As faixas servem para orientar, não para comparar com estudos.
- Não mede a intensidade dos sintomas de hoje. Para isso existe o PHQ-9.
- Não avalia a qualidade de cada tentativa. Depende da sua memória sobre doses, tempo e uso regular — e memória falha, principalmente depois de anos de tratamento.
- Não indica tratamento. Não sugere estratégias, não compara opções e não substitui a decisão clínica.
- Não olha para episódios anteriores. Se você teve outros episódios que melhoraram com tratamento, essa informação é valiosa, mas fica fora da pontuação — conte-a na consulta.
Depressão resistente × bipolaridade
Um dos motivos mais conhecidos para uma depressão “não responder” é que ela faz parte de um quadro bipolar. Nesse caso, a depressão aparece em fases, intercaladas por períodos de energia muito acima do habitual, menos necessidade de sono, aceleração e impulsividade — às vezes discretos a ponto de passarem despercebidos. Como os caminhos de tratamento são diferentes, essa é uma das primeiras perguntas de uma revisão diagnóstica. Se você reconhece fases assim, vale responder também o teste de bipolaridade e levar os dois resultados para a conversa.
Próximo passo
Faça o teste com a sua lista de tratamentos por perto. Se quiser o retrato dos sintomas de agora, o PHQ-9 complementa a leitura, e o escaneamento de funcionamento mostra humor, sono, energia e outras dimensões lado a lado. Em qualquer faixa, leve o resultado para o profissional que acompanha você — ou, se a pontuação ficar moderada ou alta, para uma avaliação com quem tem experiência em depressão resistente. Rastreio, não diagnóstico: um mapa da sua história para a próxima conversa.
Perguntas frequentes
O que é depressão resistente ao tratamento?
É o nome usado quando a depressão não melhora o suficiente depois de pelo menos dois antidepressivos diferentes, usados em dose e por tempo adequados. Não quer dizer que não haja saída: quer dizer que o caminho precisa ser revisto com mais cuidado, de preferência com quem tem experiência nesse tipo de quadro.
Como saber se minha depressão é resistente?
O primeiro passo é conferir se os tratamentos anteriores foram de fato adequados — dose, tempo e uso regular — e se o diagnóstico continua fazendo sentido. Este teste organiza a duração, a gravidade e o histórico de tratamentos do episódio atual. A confirmação depende de uma avaliação psiquiátrica que revise essa história em detalhe.
Quantos antidepressivos precisam falhar para ser depressão resistente?
A definição mais usada fala em pelo menos dois antidepressivos diferentes, em dose e tempo adequados, sem melhora satisfatória. Modelos de estadiamento, como o Maudsley Staging Method, vão além da contagem e consideram também a duração e a gravidade do episódio.
O teste de depressão resistente é validado?
Não nesta forma. É uma adaptação para rastreio, em perguntas de sim ou não, inspirada no Maudsley Staging Method, que tem estudos próprios. A adaptação em si não passou por validação, e o resultado deve ser lido como orientação, não como medida.
O que é o Maudsley Staging Method?
É um modelo publicado por Fekadu e colaboradores em 2009 para quantificar a resistência ao tratamento na depressão. Ele combina três fatores: a duração do episódio, a gravidade dos sintomas e os tratamentos que não funcionaram, incluindo potencialização e eletroconvulsoterapia.
O que é potencialização no tratamento da depressão?
É quando outro medicamento é somado ao antidepressivo para reforçar o efeito, em vez de trocar um pelo outro. É uma das estratégias usadas quando a resposta ao primeiro tratamento não é suficiente, e por isso entra no teste como sinal de escalada terapêutica.
Quanto tempo um antidepressivo leva para fazer efeito?
O teste considera uma tentativa completa quando o antidepressivo foi usado por 4 a 6 semanas, em dose adequada, sem melhora satisfatória — é o que diz a pergunta 6. O tempo de resposta varia de pessoa para pessoa, e quem avalia se uma tentativa foi suficiente é o profissional que acompanha você.
O que é eletroconvulsoterapia?
É um procedimento médico feito sob anestesia, em ambiente preparado para isso, usado sobretudo em depressões graves ou que não responderam a outros tratamentos. Entra no teste porque já ter feito eletroconvulsoterapia indica que o quadro passou por várias etapas de tratamento.
Depressão resistente tem tratamento?
Sim. Existem estratégias específicas para depressão que não respondeu aos primeiros tratamentos, e a escolha depende de uma avaliação individual. O teste não indica tratamento: ajuda a organizar a história para essa conversa.
Devo parar ou trocar meu remédio se o resultado der alto?
Não. Nenhuma mudança de medicação deve ser feita por conta própria, qualquer que seja o resultado. Leve a pontuação e o histórico para o profissional que acompanha você.
Quanto tempo leva o teste de depressão resistente?
Cerca de 3 minutos. São 10 perguntas de sim ou não, e o resultado aparece logo em seguida.
O teste de depressão resistente é gratuito?
Sim. O teste é gratuito e o resultado sai na hora, com a pontuação e a faixa.
Instrumento e referências
Rastreio de depressão resistente (adaptado do Maudsley Staging Method) — adaptação para rastreio, sem validação própria publicada. Adaptação autoral, para rastreio, das ideias do Maudsley Staging Method (Fekadu e colaboradores, 2009) e do estadiamento de Thase e Rush (1997). Não é o instrumento original e não foi validada nesta forma.
- Fekadu A, Wooderson S, Donaldson C, Markopoulou K, Masterson B, Poon L, et al. A multidimensional tool to quantify treatment resistance in depression: the Maudsley staging method. J Clin Psychiatry. 2009;70(2):177-84. doi:10.4088/JCP.08m04309
- Thase ME, Rush AJ. When at first you don't succeed: sequential strategies for antidepressant nonresponders. J Clin Psychiatry. 1997;58 Suppl 13:23-9.
Curadoria científica
Dr. David Sosa Dias, psiquiatra
CRM-RJ 52.86494-3 · RQE 19051. Formação no IPUB/UFRJ e coautoria da validação brasileira do MSI-BPD. Responsável técnico pelo MindScan™ e pela escolha dos instrumentos. Conheça.
Atualizado em 23 de outubro de 2026 · revisão clínica: Dr. David Sosa Dias.
Para aprofundar
- Teste de depressão (PHQ-9)PHQ-9 (Patient Health Questionnaire-9)
- Teste de bipolaridadeMindScan · BIP — escala de elevação do humor
- Teste de depressão e ansiedadeEscaneamento de funcionamento MindScan™
- Teste de ansiedade (GAD-7)GAD-7 (Generalized Anxiety Disorder 7-item)
- Teste de temperamentoQuestionário de Temperamento Afetivo (MindScan)
