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- 9 perguntas
- ~2 min
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O que o teste de insônia mostra
Este teste faz um mapa do seu sono nos últimos meses e compara o que você descreve com os seis elementos que o DSM-5, o manual de referência da psiquiatria, usa para descrever a insônia:
- sensação de dormir pouco ou mal;
- sono que demora a vir, não se mantém ou termina cedo demais;
- dificuldade que acontece mesmo com tempo e lugar para dormir;
- frequência de 3 noites ou mais por semana;
- duração de 3 meses ou mais;
- sofrimento ou impacto no dia seguinte.
O resultado mostra quais deles aparecem. O instrumento é a Escala MindScan de insônia, escrita do zero pelos critérios do DSM-5 (American Psychiatric Association, 2013). É uma escala MindScan, sem validação psicométrica publicada. Ela não reproduz o texto do manual nem itens de outros questionários, como o ISI (Insomnia Severity Index), a escala de gravidade mais conhecida na pesquisa sobre insônia.
Vale dizer logo de saída: é um rastreio, não um diagnóstico. Um retrato organizado do seu sono, para entender o padrão e, se fizer sentido, levar a um profissional.
Insônia: o que é e como saber se é o seu caso
Todo mundo tem noites ruins. Insônia, no sentido clínico, é outra coisa: um padrão em que o sono demora a vir, não se sustenta ou termina cedo demais, apesar de haver tempo e condição para dormir, e isso se repete, se prolonga e cobra um preço durante o dia.
As três formas da dificuldade
- Para começar a dormir: você deita, apaga a luz e o sono não vem. Fica muito tempo virando na cama, às vezes mais de meia hora.
- Para manter o sono: você adormece, mas acorda de madrugada e custa a voltar a dormir.
- Despertar cedo demais: você acorda bem antes da hora que queria e não consegue mais dormir.
As três podem se misturar. O que pesa não é qual delas aparece, e sim em quantas noites, há quanto tempo e com que efeito no seu dia.
Noite ruim, fase difícil ou insônia?
Uma forma prática de pensar é em três degraus:
- Noites ruins isoladas. Fazem parte da vida e não pedem nada além de paciência.
- Uma fase de sono ruim. Costuma vir junto com um acontecimento: mudança, luto, pressão no trabalho, uma doença. Muitas vezes melhora quando a situação se acomoda.
- Insônia que se instala. A dificuldade aparece em 3 noites ou mais por semana, há 3 meses ou mais, e afeta o seu dia. É o padrão que o DSM-5 descreve e que as diretrizes chamam de insônia crônica (Drager et al., 2023).
O ciclo que mantém a insônia
Curiosamente, o que mantém a insônia muitas vezes não é o motivo que a começou. Depois de algumas semanas dormindo mal, a cama vira um lugar de alerta. A pessoa deita mais cedo para compensar, fica mais tempo acordada na cama, cochila de dia, olha o relógio de madrugada contando as horas que restam.
O esforço para dormir, que ajuda em quase tudo na vida, aqui atrapalha. E surge uma preocupação nova, com o próprio sono: há quem chegue a temer a hora de deitar.
No dia seguinte vem a conta: cansaço, sonolência, irritação, esquecimento, dificuldade para render. Esse impacto é parte do que separa a insônia de simplesmente dormir pouco sem prejuízo.
Sono e saúde mental andam juntos
A insônia costuma andar ao lado da ansiedade e da depressão, às vezes como sinal, às vezes como algo que agrava o quadro. Por isso vale olhar o mapa inteiro, e não só o sono. Se a preocupação constante parece estar por trás das noites em claro, o teste de ansiedade (GAD-7) ajuda a ver esse lado; se o desânimo pesa, o teste de depressão (PHQ-9). A diretriz europeia recomenda tratar a insônia também quando há outras condições junto (Riemann et al., 2023).
Insônia × outros problemas de sono
Nem todo sono ruim é insônia. Algumas situações se parecem com ela e pedem caminhos diferentes:
- Falta de oportunidade. Quem dorme pouco porque trabalha até tarde, tem filho pequeno ou mora num lugar barulhento está privado de sono, o que não é o mesmo que insônia. Por isso o teste pergunta se a dificuldade acontece mesmo com tempo e lugar adequados.
- Apneia do sono. Ronco alto, pausas na respiração que alguém percebe, boca seca ao acordar e um sono que não descansa mesmo depois de muitas horas. Pede avaliação específica, às vezes com exame do sono (polissonografia), como recomenda a diretriz europeia quando há suspeita de outro problema de sono.
- Pernas inquietas. Uma vontade incômoda de mexer as pernas ao deitar, que alivia com o movimento.
- Relógio biológico deslocado. Quem só consegue dormir muito tarde, mas dorme bem quando pode acordar tarde, pode ter um atraso no ritmo do sono, e não insônia.
- Substâncias, remédios e condições de saúde. Cafeína, álcool, alguns medicamentos, dor, refluxo e alterações hormonais podem atrapalhar o sono. O próprio resultado do teste lembra que essas causas precisam ser avaliadas.
Para quem é o teste — e quando não usar
O teste é para adultos, de 18 anos ou mais, que:
- dormem mal há semanas ou meses e querem entender se é insônia;
- acordam cansados e não sabem se o problema está na quantidade ou na qualidade do sono;
- querem um retrato organizado para levar a uma consulta.
Ele não é a melhor ferramenta:
- quando há sinais de outro problema de sono, como ronco com pausas na respiração, sonolência ao dirigir ou movimentos estranhos durante a noite. Nesses casos, procure avaliação médica diretamente;
- quando você dorme pouco por falta de tempo ou trabalha em turnos. O teste vai refletir isso, mas a resposta para o seu caso passa por rotina e horário;
- para medir a gravidade ao longo de um tratamento. Esta escala conta critérios; não gradua intensidade.
Como funciona
São 9 perguntas, que levam cerca de 2 minutos, sobre os últimos meses. A instrução é: “Pense em como tem sido o seu sono nos últimos meses. Quanto cada frase descreve você?”
Sete frases têm três respostas possíveis: Não me descreve, Me descreve em parte e Me descreve bem. Duas perguntas têm opções próprias:
- frequência: “Raramente ou nunca”, “1 ou 2 noites por semana” ou “3 noites ou mais por semana”;
- tempo: “Não tenho dificuldade para dormir”, “Há menos de 3 meses” ou “Há 3 meses ou mais”.
As perguntas cobrem os seis critérios assim:
- pergunta 1: sensação de dormir pouco ou mal;
- perguntas 2 a 4: demorar a pegar no sono, acordar de madrugada e acordar cedo demais;
- pergunta 5: se isso acontece mesmo com tempo e lugar adequados para dormir;
- pergunta 6: em quantas noites por semana;
- pergunta 7: há quanto tempo;
- perguntas 8 e 9: aflição com o sono e impacto no dia seguinte.
Uma frase conta para o critério quando a resposta é “Me descreve bem” (na frequência, “3 noites ou mais por semana”; no tempo, “Há 3 meses ou mais”). Nos critérios com mais de uma frase, basta uma. Antes de começar, você confirma ter 18 anos ou mais e dá o consentimento para o uso dos dados, como pede a LGPD. As 9 perguntas estão listadas mais abaixo, nesta página.
Como interpretar o resultado
O resultado conta quantos dos 6 critérios aparecem e lê o conjunto. Como o DSM-5 exige todos eles para descrever insônia, a leitura segue esta regra:
- 6 de 6 critérios: dificuldade para dormir em 3 noites ou mais por semana, há 3 meses ou mais, mesmo com tempo para dormir, e com impacto no seu dia. É compatível com o padrão que o DSM-5 descreve para insônia. A confirmação acontece numa avaliação com psiquiatra, e outras causas, como outros problemas do sono, remédios, substâncias ou outras condições de saúde, precisam ser avaliadas.
- 4 ou 5 critérios: parte do padrão que o DSM-5 descreve para insônia aparece, mas não todos os elementos que ele exige, como a frequência de 3 noites por semana ou a duração de 3 meses. Vale levar como ponto para conversar com um profissional; outras causas para o sono ruim também precisam ser avaliadas.
- Até 3 critérios: o padrão fica abaixo do que o DSM-5 descreve para insônia. Isso não descarta um problema de sono: se você acorda cansado(a) ou o sono atrapalha o seu dia, vale conversar com um profissional.
Nos três casos, é um rastreio, não um diagnóstico. As condições que o DSM-5 manda considerar antes de falar em insônia (outro problema do sono, efeito de substâncias ou remédios, outra condição de saúde) não são confiáveis em autorrelato e ficam fora da contagem: entram na avaliação clínica.
O que este teste não faz
- Não substitui a avaliação clínica. Rastreio organiza o que você percebe; quem confirma ou descarta um quadro é um profissional.
- Não mede o sono de forma objetiva. Ele não substitui um diário do sono nem exames como a polissonografia, quando indicados. Um diário de uma ou duas semanas, com horários de deitar, de acordar e despertares, costuma ajudar muito na consulta; a diretriz europeia inclui questionários e diários na investigação da insônia (Riemann et al., 2023).
- Não diferencia a insônia de outros problemas de sono. Apneia, pernas inquietas e alterações de ritmo podem gerar respostas parecidas.
- Não tem validação psicométrica publicada. É uma escala MindScan; use como mapa, não como medida.
- Não mede gravidade nem indica tratamento. Isso se decide com um profissional.
Higiene do sono: o que ajuda e até onde ela vai
Higiene do sono é o conjunto de hábitos que dão ao corpo condições de dormir bem. Os pontos mais citados:
- horário regular para acordar, inclusive no fim de semana;
- luz natural de manhã e ambiente mais escuro à noite;
- cafeína só até o começo da tarde;
- evitar álcool perto da hora de dormir;
- atividade física regular;
- quarto escuro, silencioso e com temperatura agradável;
- um intervalo para desacelerar antes de deitar, longe do trabalho e de discussões;
- cochilos curtos, ou nenhum, enquanto as noites estiverem difíceis.
Esses hábitos ajudam, mas têm limite. A diretriz da Academia Americana de Medicina do Sono não recomenda a higiene do sono sozinha como tratamento da insônia crônica (Edinger et al., 2021), e uma revisão sobre o tema registra que, isolada, ela tem se mostrado pouco eficaz como tratamento na clínica (Irish et al., 2015).
O tratamento de primeira linha para insônia crônica em adultos é a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I), presencial ou digital (Riemann et al., 2023). Ela trabalha justamente o ciclo descrito acima: a relação com a cama, o tempo passado nela, os horários e os pensamentos sobre o próprio sono. Se a insônia já dura meses, vale procurar esse acompanhamento em vez de apostar só em ajustes de rotina.
Próximo passo
O sono é uma das 11 áreas do escaneamento de funcionamento do MindScan. Para ver como ele conversa com o resto do mapa (humor, ansiedade, foco, motivação), o escaneamento percorre essas áreas em poucos minutos e indica quais aprofundamentos fazem sentido para você.
Se o resultado mostrar o padrão completo ou parcial, vale conversar com um profissional: psiquiatra, médico do sono ou psicólogo com formação em TCC-I. Leve o resultado e, se puder, um diário do sono. Rastreio não é diagnóstico, mas organiza bem o ponto de partida.
As 9 perguntas do teste
Pense em como tem sido o seu sono nos últimos meses. Quanto cada frase descreve você?
Ver todas as perguntas
- Sinto que durmo pouco ou durmo mal — o sono não está sendo o que eu preciso.
- Deito para dormir e o sono demora a vir: fico muito tempo acordado(a), virando na cama (por exemplo, mais de meia hora).
- Acordo de madrugada e demoro a conseguir dormir de novo (por exemplo, fico mais de meia hora acordado(a)).
- Acordo bem antes da hora que eu queria e não consigo mais voltar a dormir.
- Essas dificuldades acontecem mesmo quando tenho tempo de sobra na cama e um lugar tranquilo para dormir — não é só falta de horário, barulho ou luz.
- Em quantas noites por semana, em média, dormir tem sido difícil assim?
- Há quanto tempo o seu sono está assim?
- O sono virou uma fonte de aflição: penso nele durante o dia e chego a temer a hora de deitar.
- As noites ruins cobram um preço no dia seguinte — cansaço, sonolência, irritação, esquecimento ou dificuldade para render no trabalho ou nos estudos.
Perguntas frequentes
Como saber se tenho insônia?
Observe três coisas: se a dificuldade para dormir aparece em 3 noites ou mais por semana, se já dura 3 meses ou mais e se acontece mesmo com tempo e lugar adequados para dormir. Some a isso o impacto no dia seguinte. O teste organiza essas respostas, e um profissional confirma ou descarta.
O que é insônia crônica?
É o nome que diretrizes dão ao padrão em que a dificuldade para dormir se repete em pelo menos 3 noites por semana, por 3 meses ou mais, com prejuízo durante o dia. Corresponde ao que o DSM-5 descreve como insônia. Noites ruins isoladas ou uma fase curta de sono ruim não entram nessa definição.
Acordar de madrugada e não conseguir dormir de novo é insônia?
Pode ser uma das formas da insônia, a de manutenção do sono. O que define o quadro não é acordar em si, mas a frequência, a duração e o impacto no seu dia. Se acontece raramente e você descansa bem, provavelmente não pede nada.
Insônia tem cura?
Insônia tem tratamento com boa evidência. A terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) é o tratamento de primeira linha recomendado por diretrizes para adultos, presencial ou digital. Ela trabalha os hábitos e os pensamentos que mantêm o ciclo da insônia.
Higiene do sono resolve a insônia?
Ajuda, mas raramente basta quando a insônia já dura meses. Diretrizes de medicina do sono não recomendam a higiene do sono sozinha como tratamento da insônia crônica. Ela funciona melhor como base para a TCC-I.
Ansiedade pode causar insônia?
Sim, ansiedade e insônia andam muito juntas: a mente acelerada dificulta pegar no sono, e a noite mal dormida aumenta a tensão no dia seguinte. Vale olhar também a área de ansiedade do seu mapa.
Qual a diferença entre insônia e apneia do sono?
Na insônia, o problema é conseguir dormir ou manter o sono. Na apneia, a pessoa costuma dormir, mas a respiração para várias vezes durante a noite, com ronco alto e sono que não descansa. A apneia pede avaliação médica específica, às vezes com exame do sono.
Dormir pouco por falta de tempo é insônia?
Não necessariamente. Quem dorme pouco porque trabalha até tarde ou cuida de um bebê está privado de sono, que é outra situação. Insônia é a dificuldade que aparece mesmo quando há tempo e lugar adequados para dormir, e o teste pergunta exatamente isso.
O teste de insônia é confiável?
Ele segue os critérios do DSM-5 e mostra com clareza quais aparecem nas suas respostas, mas é uma escala MindScan, sem validação psicométrica publicada. Serve como mapa para organizar o que você percebe, não como medida de precisão.
Quanto tempo leva o teste de insônia? É grátis?
Cerca de 2 minutos: são 9 perguntas sobre os últimos meses. O teste é gratuito e o resultado aparece na hora, depois de você confirmar ter 18 anos ou mais e dar o consentimento para o uso dos dados.
O resultado do teste de insônia é um diagnóstico?
Não. É um rastreio que mostra quantos critérios do DSM-5 aparecem nas suas respostas. A confirmação depende de uma avaliação clínica, que também investiga outras causas para o sono ruim, como outros problemas do sono, substâncias e condições de saúde.
Instrumento e referências
Escala MindScan de insônia — escala MindScan, sem validação psicométrica publicada. Escrita do zero pelos critérios do DSM-5 para insônia (American Psychiatric Association, 2013). Não reproduz o texto do manual nem itens de outras escalas.
- American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition (DSM-5). Arlington: American Psychiatric Association; 2013. doi:10.1176/appi.books.9780890425596
- Riemann D, Espie CA, Altena E, et al. The European Insomnia Guideline: An update on the diagnosis and treatment of insomnia 2023. J Sleep Res. 2023;32(6):e14035. doi:10.1111/jsr.14035
- Drager LF, Assis M, Bacelar AFR, et al. 2023 Guidelines on the Diagnosis and Treatment of Insomnia in Adults – Brazilian Sleep Association. Sleep Sci. 2023;16(Suppl 2):507-549. doi:10.1055/s-0043-1776281
- Edinger JD, Arnedt JT, Bertisch SM, et al. Behavioral and psychological treatments for chronic insomnia disorder in adults: an American Academy of Sleep Medicine clinical practice guideline. J Clin Sleep Med. 2021;17(2):255-262. doi:10.5664/jcsm.8986
- Irish LA, Kline CE, Gunn HE, Buysse DJ, Hall MH. The role of sleep hygiene in promoting public health: A review of empirical evidence. Sleep Med Rev. 2015;22:23-36. doi:10.1016/j.smrv.2014.10.001
Curadoria científica
Dr. David Sosa Dias, psiquiatra
CRM-RJ 52.86494-3 · RQE 19051. Formação no IPUB/UFRJ e coautoria da validação brasileira do MSI-BPD. Responsável técnico pelo MindScan™ e pela escolha dos instrumentos. Conheça.
Atualizado em 23 de outubro de 2026 · revisão clínica: Dr. David Sosa Dias.
Para aprofundar
- Teste de ansiedade (GAD-7)GAD-7 (Generalized Anxiety Disorder 7-item)
- Teste de depressão (PHQ-9)PHQ-9 (Patient Health Questionnaire-9)
- Teste de estresseEscala MindScan de estresse e adaptação (MindScan · ADAPT)
- Teste de síndrome de burnout (OLBI)OLBI (Inventário de Burnout de Oldenburg)
- Teste de nomofobia e vício em celularSAS-SV, Escala de Dependência de Smartphone (versão curta)
- Teste de depressão e ansiedadeEscaneamento de funcionamento MindScan™
