Aprofundamento · MindScan · TJ

Teste de vício em apostas

Nove perguntas, uma para cada critério do DSM-5 para o transtorno do jogo, mostram como as apostas aparecem nos seus últimos 12 meses, das bets ao cassino online. É um rastreio, não um diagnóstico.

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  1. 019 perguntas, ~2 minEscala MindScan de apostas — critérios DSM-5 do transtorno do jogo (autoral MindScan · organizada pelos critérios do DSM-5).
  2. 02Organizada pelos critérios do DSM-5Mostra quais critérios suas respostas descrevem. Não fecha diagnóstico: isso acontece numa avaliação com psiquiatra.
  3. 03Resultado na horaPara ver, pedimos nome e WhatsApp no fim; receber orientações por lá é opcional. Se houver sinal de risco, a orientação aparece na hora, sem pedir nome nem WhatsApp.

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9 perguntas · ~2 min

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O que o teste de vício em apostas mostra

O teste é uma escala MindScan de 9 perguntas, uma para cada critério que o DSM-5, o manual de diagnóstico da Associação Americana de Psiquiatria, usa para descrever o transtorno do jogo. Ela foi escrita do zero: não reproduz o texto do manual nem os itens de questionários conhecidos, e não tem validação psicométrica publicada.

O que ela mostra é um mapa dos seus últimos 12 meses com as apostas: quais dos nove sinais apareceram, e quantos. O resultado diz quantos critérios estão presentes nas suas respostas, nomeia cada um e compara o total com a referência do DSM-5, em que quatro ou mais critérios descrevem o quadro. Ele entra no seu mapa do MindScan™ na dimensão de comportamentos, ao lado de jogos eletrônicos, compras, uso do celular e impulsividade.

Vale para qualquer aposta a dinheiro: bets esportivas, cassino online, caça-níqueis, loterias, raspadinhas. E, como todo o MindScan™, é rastreio, não diagnóstico.

Vício em apostas: o que é

“Vício em apostas”, “ludopatia” e “jogo patológico” são nomes populares ou antigos para o que o DSM-5 chama de transtorno do jogo: um padrão persistente de apostas que escapa do controle e traz sofrimento ou prejuízo importante. Ele é a única condição sem substância no capítulo do manual dedicado às dependências, ao lado de álcool e outras drogas, porque se comporta de forma parecida: tolerância, dificuldade de parar, mal-estar na falta e insistência apesar das perdas.

Na passagem para o DSM-5, em 2013, o quadro mudou de nome, o número mínimo de critérios caiu de cinco para quatro e o critério de atos ilegais saiu da lista (Petry e colaboradores, 2014). Hoje, são nove critérios, contados num período de 12 meses. Em linguagem simples, eles descrevem:

  1. precisar apostar valores cada vez maiores para sentir a mesma empolgação;
  2. ficar inquieto(a) ou irritado(a) ao tentar diminuir ou parar;
  3. tentar controlar, diminuir ou parar, repetidas vezes, sem conseguir;
  4. passar muito tempo pensando em apostas: as passadas, a próxima, como conseguir dinheiro;
  5. apostar para lidar com o mal-estar, como ansiedade, tristeza ou culpa;
  6. voltar outro dia para recuperar o que perdeu;
  7. mentir para esconder o quanto aposta;
  8. colocar em risco ou perder uma relação, um emprego ou uma oportunidade de estudo;
  9. depender de outras pessoas para sair de uma situação financeira criada pelas apostas.

Quatro ou cinco critérios descrevem um quadro leve; seis ou sete, moderado; oito ou nove, grave. Para o diagnóstico, o profissional também verifica se as apostas não se explicam melhor por um episódio de mania, em que o excesso de gastos e riscos faz parte de outro quadro.

Bets, cassino online e o celular

As apostas de quota fixa, as bets, foram regulamentadas no Brasil pela Lei 14.790, de dezembro de 2023, e passaram a fazer parte da paisagem: patrocínio de times, propaganda na transmissão, influenciadores, bônus de boas-vindas. O que mudou na prática não foi só o tamanho do mercado, mas o formato. A aposta mora no celular, está aberta a qualquer hora, aceita depósito instantâneo e permite apostar durante a partida, lance a lance. No cassino online e nos caça-níqueis de aplicativo, uma rodada dura segundos.

Quanto mais curto o intervalo entre apostar e saber o resultado, e quanto menor o esforço para apostar de novo, mais fácil é perder a noção do quanto já saiu do bolso. Isso não quer dizer que toda pessoa que aposta vai perder o controle. Quer dizer que vale observar com mais atenção do que se observaria uma ida à lotérica no fim do mês.

Sinais no dia a dia

  • Conferir odds, placares e o saldo da conta de apostas o tempo todo.
  • Pensar “agora eu recupero” depois de uma sequência de perdas.
  • Apagar o aplicativo e baixá-lo de novo dias depois.
  • Esconder extratos, usar outra conta ou mentir sobre para onde foi o dinheiro.
  • Usar o limite do cartão, o cheque especial ou empréstimos para apostar.
  • Apostar para relaxar depois de um dia ruim, ou para não pensar num problema.
  • Ficar irritado(a) quando não consegue apostar.
  • Brigas em casa por causa de dinheiro que ninguém sabe explicar.

Por que “recuperar o prejuízo” é o sinal mais traiçoeiro

Depois de perder, a vontade de voltar e recuperar parece um plano racional, e não um impulso. É exatamente por isso que ela engana. Em jogos de azar, cada rodada é independente da anterior: perder várias vezes seguidas não torna a vitória mais provável. E, na média, a casa sempre leva uma parte. Correr atrás do prejuízo costuma aumentar o prejuízo, e é um dos sinais que mais pesam quando a relação com as apostas já mudou.

Para quem é o teste — e quando não usar

É para adultos que apostam, ou apostaram nos últimos 12 meses, e querem olhar com honestidade para essa relação. Serve para quem desconfia que está passando do ponto, para quem já ouviu preocupação de alguém próximo e para quem quer um retrato antes de decidir mudar alguma coisa. O MindScan™ é para maiores de 18 anos. Se você não apostou nesse período, a orientação do próprio teste é responder “Não” a tudo.

Não use o resultado:

  • para avaliar outra pessoa: as perguntas são sobre a experiência de quem aposta, e só essa pessoa pode respondê-las;
  • como permissão para continuar, se o número de critérios veio baixo mas as apostas já preocupam você ou sua família;
  • como motivo para esperar, se as dívidas já fogem do controle ou o sofrimento é grande: nesse caso, procure ajuda profissional agora, com ou sem teste.

Como funciona

São 9 frases sobre os últimos 12 meses. Para cada uma, você escolhe entre três respostas: “Não”, “Sim, uma vez ou outra” e “Sim, várias vezes”. Leva cerca de 2 minutos, e as perguntas estão logo abaixo, na íntegra.

A contagem segue a forma como o DSM-5 descreve cada critério:

  • Os critérios que o manual descreve como repetidos ou frequentes (tentar parar sem conseguir, pensar muito em apostas, apostar para lidar com o mal-estar e voltar para recuperar perdas) só contam com “Sim, várias vezes”.
  • Os demais (apostar valores maiores, inquietação ao tentar parar, esconder o quanto aposta, colocar relação, emprego ou estudo em risco e pedir dinheiro para cobrir as apostas) contam com qualquer “sim”.

O resultado é o número de critérios presentes, de 0 a 9, com o nome de cada um.

Como interpretar o resultado

Critérios presentes O que o resultado diz
0 ou 1 Abaixo do padrão que o DSM-5 descreve como transtorno do jogo. Se as apostas ainda assim incomodam você ou alguém próximo, vale conversar com um profissional.
2 ou 3 Menos do que os 4 que o DSM-5 usa para o transtorno do jogo, mas o bastante para merecer atenção. Vale observar quanto e por que você aposta, e conversar com um profissional se isso crescer.
4 a 9 Um padrão compatível com o que o DSM-5 descreve como transtorno do jogo. Pelo manual, 4 ou 5 critérios indicam um quadro leve; 6 ou 7, moderado; 8 ou 9, grave. Vale procurar um psiquiatra.

Na faixa mais alta, o resultado lembra que apostas que viraram problema têm tratamento, e que quanto antes ele começa, menor o estrago no dinheiro e nas relações. Em todas as faixas, a frase final é a mesma: é um rastreio, não um diagnóstico.

Olhe também para quais critérios apareceram, não só quantos. Mentir sobre apostas, voltar para recuperar perdas e pedir dinheiro para cobrir dívidas costumam indicar que a situação já saiu do campo do lazer, mesmo quando o total ainda está abaixo de quatro.

O que este teste não faz

  • Não diagnostica. O diagnóstico de transtorno do jogo é clínico. Inclui, por exemplo, verificar se as apostas não fazem parte de um episódio de mania.
  • Não tem validação publicada. É uma escala MindScan. Existem questionários validados para apostas, como o PGSI, mas a licença de uso dele não é clara e a validação brasileira ainda é preliminar; por isso o MindScan™ preferiu uma escala própria, fiel aos critérios do DSM-5.
  • Não mede o valor apostado. Há quem aposte pouco e já tenha perdido o controle, e quem aposte alto sem prejuízo. A escala olha para o padrão, não para a quantia.
  • Não avalia o impacto na família. Quem convive com uma pessoa que aposta também sofre, e esse sofrimento merece cuidado próprio.
  • Não substitui ajuda imediata. Se as apostas já trouxeram dívidas graves ou sofrimento intenso, o próximo passo é procurar um profissional, não refazer o teste.

Apostas × jogos eletrônicos

Em português, “jogo” serve para duas coisas que a psiquiatria separa. O transtorno do jogo do DSM-5 é o das apostas a dinheiro. O problema com videogames e jogos de celular tem outro nome e outra escala, no teste de vício em jogos. As duas coisas podem se encontrar, por exemplo em jogos que vendem caixas de recompensa pagas, mas os riscos e as perguntas são diferentes.

Apostas também costumam andar junto com um jeito mais impulsivo de agir, principalmente quando a pessoa está mal. Se você se reconhece decidindo no calor do momento em outras áreas da vida, o teste de impulsividade mostra quais facetas desse traço aparecem mais em você.

Próximo passo

Responda as 9 perguntas e veja quantos critérios aparecem, e quais. Se quiser contexto, o mapa completo do MindScan™ coloca as apostas ao lado das outras dimensões, como humor, ansiedade e impulsividade, que muitas vezes caminham juntas. Se as apostas já pesam no bolso ou nas relações, procurar um psiquiatra ou outro profissional de saúde mental cedo faz diferença. Rastreio, não diagnóstico.

As 9 perguntas do teste

Pense nos últimos 12 meses — apostas em sites, cassino online, loterias ou outros jogos a dinheiro. Se você não apostou nesse período, responda “Não” a tudo.

Ver todas as perguntas
  1. Precisei apostar valores cada vez maiores para sentir a mesma empolgação.
  2. Fiquei inquieto(a) ou irritado(a) quando tentei diminuir ou parar de apostar.
  3. Tentei controlar, diminuir ou parar de apostar e não consegui.
  4. Passei muito tempo pensando em apostas — lembrando das passadas, planejando a próxima ou pensando em como conseguir dinheiro para apostar.
  5. Apostei quando estava me sentindo mal — ansioso(a), triste, culpado(a) ou sem esperança.
  6. Depois de perder dinheiro, voltei outro dia para tentar recuperar o que tinha perdido.
  7. Menti para pessoas próximas para esconder o quanto eu apostava.
  8. Coloquei em risco ou perdi uma relação importante, um emprego ou uma oportunidade de estudo por causa das apostas.
  9. Precisei pedir dinheiro a outras pessoas para sair de uma situação difícil causada pelas apostas.

Perguntas frequentes

Como saber se sou viciado em apostas?

Olhe para o controle e para o custo, não só para o valor apostado: tentar parar e não conseguir, voltar para recuperar o que perdeu, esconder o quanto aposta, pedir dinheiro para cobrir perdas. O teste pergunta pelos nove sinais que o DSM-5 usa e mostra quantos aparecem nos seus últimos 12 meses. É um rastreio, não um diagnóstico.

Vício em apostas é doença?

O padrão tem nome no DSM-5: transtorno do jogo, descrito por nove critérios, dos quais quatro ou mais num período de 12 meses caracterizam o quadro. É uma condição de saúde reconhecida e tratável, não falta de caráter. O diagnóstico é feito por um profissional, numa avaliação clínica.

O que é ludopatia?

Ludopatia é um nome popular para o vício em jogos de azar, o mesmo padrão que o DSM-5 chama de transtorno do jogo e que, nas edições anteriores, se chamava jogo patológico. Os três nomes descrevem a perda de controle sobre as apostas e o prejuízo que vem com ela.

Apostar em bets todo dia é vício?

Não necessariamente, mas é um padrão que merece atenção. A frequência sozinha não define o problema; o que pesa é perder o controle, voltar para recuperar perdas, esconder o quanto aposta e ver dinheiro, trabalho ou relações sofrerem. Se apostar virou parte fixa do dia, o teste ajuda a ver quais desses sinais já apareceram.

Quais são os sinais de vício em apostas?

Os mais característicos são precisar apostar valores cada vez maiores, ficar irritado(a) ao tentar parar, pensar em apostas o tempo todo, apostar para aliviar o mal-estar e voltar para recuperar o que perdeu. Mentir sobre o quanto aposta, colocar em risco trabalho ou relações e pedir dinheiro para cobrir perdas completam a lista do DSM-5.

O teste de vício em apostas é confiável?

É uma escala MindScan, sem validação psicométrica publicada, escrita com um item para cada critério do DSM-5. Ela organiza os sinais de forma fiel aos critérios, mas não tem estudos de precisão próprios. Use o resultado como ponto de partida para uma conversa, não como diagnóstico.

Vício em apostas tem cura? Tem tratamento?

Tem tratamento, e quanto mais cedo começa, menor o estrago no dinheiro e nas relações. Psicoterapia é a base, e o acompanhamento psiquiátrico entra quando há outros quadros junto, como depressão, ansiedade ou uso de álcool. Grupos de ajuda mútua também ajudam muita gente a manter o controle.

Como ajudar alguém viciado em apostas?

Converse num momento calmo, falando do que você observa e sente, sem acusar. Evite cobrir dívidas sem um plano combinado, porque isso costuma adiar o problema. Procure orientação profissional também para você: familiares de quem aposta sofrem junto e merecem apoio próprio.

Loteria, raspadinha e cassino online também contam?

Contam. O teste vale para qualquer jogo a dinheiro: sites e aplicativos de apostas esportivas, cassino online, caça-níqueis, loterias, raspadinhas e outros. O que importa é a relação com a aposta, não a modalidade.

Quanto tempo leva o teste? É de graça?

São 9 perguntas e cerca de 2 minutos. O teste é gratuito e o resultado aparece na hora, com quantos critérios aparecem nas suas respostas e quais são eles.

Instrumento e referências

Escala MindScan de apostas (MindScan · TJ) — escala MindScan, sem validação psicométrica publicada. Escrita pelos nove critérios do DSM-5 para o transtorno do jogo, sem reproduzir o texto do manual nem itens de outras escalas.

  1. American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5ª ed. Porto Alegre: Artmed; 2014.
  2. Petry NM, Blanco C, Auriacombe M, Borges G, Bucholz K, Crowley TJ, et al. An overview of and rationale for changes proposed for pathological gambling in DSM-5. J Gambl Stud. 2014;30(2):493-502. doi:10.1007/s10899-013-9370-0
  3. Potenza MN, Balodis IM, Derevensky J, Grant JE, Petry NM, Verdejo-Garcia A, et al. Gambling disorder. Nat Rev Dis Primers. 2019;5(1):51. doi:10.1038/s41572-019-0099-7
  4. Brasil. Lei nº 14.790, de 29 de dezembro de 2023. Dispõe sobre a modalidade lotérica denominada apostas de quota fixa.

Curadoria científica

Dr. David Sosa Dias, psiquiatra

CRM-RJ 52.86494-3 · RQE 19051. Formação no IPUB/UFRJ e coautoria da validação brasileira do MSI-BPD. Responsável técnico pelo MindScan™ e pela escolha dos instrumentos. Conheça.

Atualizado em 23 de outubro de 2026 · revisão clínica: Dr. David Sosa Dias.

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