Dados públicos · Calculadora
Quanto a saúde mental custa à sua empresa
Em 2025, a Previdência concedeu 546 mil benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais, recorde da série. O benefício é pago pelo INSS; a conta da empresa começa antes, com a queda silenciosa de rendimento — o presenteísmo. Veja os números e calcule a perda na sua equipe.
Revisado por Dr. David Sosa Dias, psiquiatra · CRM-RJ 52.86494-3 · RQE 19051
· Revisado em
546.254
benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais em 2025, quase o dobro de 2023
Previdência Social
R$ 54.860
custo de um afastamento para a empresa, com salário médio de R$ 4.500
Estimativa do modelo
R$ 4.936
perda média por colaborador por ano, somando afastamentos, licenças curtas e presenteísmo
Estimativa do modelo
US$ 4 : 1
retorno em saúde e capacidade de trabalho de cada dólar investido no tratamento de depressão e ansiedade
OMS, 2016
Estimativas do modelo: saída da calculadora abaixo com 300 colaboradores e salário médio de R$ 4.500, a partir de premissas declaradas no fim da página. Não são dados oficiais.
O que os dados públicos mostram
Afastamentos por transtornos mentais: a série do INSS
Os benefícios por transtornos mentais quase dobraram em dois anos. Em 2025, foram 546.254, 15,66% a mais que em 2024 — acima da alta de 15,19% de todas as doenças somadas.
2024 (472.328) e 2025 (546.254): Ministério da Previdência Social. 2023: CFF, com dados do Ministério da Previdência (valor arredondado). Contando só benefícios acima de 15 dias concedidos até novembro, a ANAMT chega a 219.850, 367.909 e 393.670 — alta de 79% no período.
166.489
benefícios por transtornos ansiosos (CID F41) em 2025, a maior causa entre os transtornos mentais; entre todas as doenças, a ansiedade passou de 9ª causa em 2021 para 4ª
126.608
por episódios depressivos (CID F32) em 2025, a segunda causa entre os transtornos mentais; entre todas as doenças, de 10ª para 6ª
1.760 → 6.985
benefícios por burnout de 2023 a 2025 (2025 até novembro), no levantamento da ANAMT
1.849 → 5.358
aposentadorias por incapacidade permanente por transtorno mental, de 2023 a 2025 (até novembro), ANAMT
≈ 3 meses
duração média de um afastamento por saúde mental em 2024
30,6%
dos trabalhadores de uma indústria brasileira foram trabalhar doentes em 12 meses; entre eles, 50,9% tiveram perda de desempenho na escala SPS-6
Presenteísmo
O que é presenteísmo (e como difere do absenteísmo)
Presenteísmo é trabalhar sem condições plenas de saúde, física ou emocional: a pessoa está no posto, mas rende menos. Absenteísmo é a ausência — faltas, licenças e afastamentos. O presenteísmo não aparece na folha de ponto, por isso costuma ser a parte maior e menos visível da perda.
Absenteísmo
- O que é
- A ausência: faltas, atestados, licenças e afastamentos pelo INSS.
- Onde aparece
- Folha de ponto, atestados, eSocial.
- Como medir
- Dias perdidos e custo de cada ausência.
Presenteísmo
- O que é
- A presença com rendimento menor por um problema de saúde.
- Onde aparece
- Erros, retrabalho, metas e clima — sem registro direto.
- Como medir
- Escalas de autorrelato, como a SPS-6, e indicadores de desempenho, sempre em números agregados.
Num estudo com trabalhadores de uma indústria brasileira, 30,6% tinham ido trabalhar doentes nos 12 meses anteriores; entre eles, 50,9% tiveram perda de desempenho medida pela escala SPS-6 (Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, 2017). Do lado da norma, a NR-1 pede que a empresa gerencie os fatores do trabalho que levam a esse desgaste — veja o que a NR-1 exige.
O afastamento é o fim de um processo longo.
Ansiedade e depressão não aparecem de um dia para o outro: antes do afastamento costuma haver meses de rendimento menor — o modelo desta página considera 4 meses com 35% de queda. É a janela que uma escuta periódica enxerga.
A conta do INSS é a menor parte.
O benefício é pago pela Previdência. Os 15 primeiros dias, a reposição, a queda da equipe, o risco de desligamento e o de ação trabalhista ficam com a empresa — e somam várias vezes o valor do benefício.
O presenteísmo pesa mais que a ausência.
Quem trabalha com sintomas relevantes e rende menos não aparece em nenhum relatório de ponto. No modelo desta página, é o maior componente da perda, em qualquer porte de empresa.
Calculadora
Calcule a perda na sua empresa
Informe o número de colaboradores e o salário médio. O modelo usa dados públicos e premissas declaradas, que você pode ajustar. Os números ficam só no seu navegador.
Dados da sua empresa
Os números ficam só no seu navegador. Com R$ 4.500 de salário médio, um afastamento custa cerca de R$ 54.860 à empresa.
Ajustar as premissaspadrão
Perda anual estimada hoje
R$ 1,48 milhão
R$ 1.480.860 por ano, ou R$ 4.936 por colaborador.
- Queda silenciosa de rendimento (presenteísmo)R$ 1.239.300
54 pessoas com sintomas, rendendo em média 25% menos
- Afastamentos pelo INSSR$ 197.496
3,6 por ano × R$ 54.860 cada
- Licenças curtas (menos de 15 dias)R$ 44.064
10,8 por ano, pagas pela empresa
Economia estimada por ano
R$ 430 mil
Com o MindScan™ Empresas e o suporte clínico do Instituto InMind: 25% menos afastamentos, 20% menos licenças curtas e 30% menos perda por presenteísmo. Se o efeito for metade disso, a economia ainda fica em R$ 214.988.
Estimativa com premissas declaradas, não promessa de resultado. Os efeitos do programa vêm da literatura de saúde mental no trabalho e serão medidos nos pilotos.
Um afastamento, com este salário
R$ 54.860
- Queda de rendimento antes do afastamentoR$ 10.710
4 meses rendendo 35% menos (literatura: 30% a 50%)
- 15 primeiros dias, pagos pela empresaR$ 3.825
salário e encargos dos 15 dias antes do INSS
- Reposição ou horas extrasR$ 13.770
60% de um custo mensal por mês, durante os 3 meses de afastamento
- Queda de rendimento da equipeR$ 9.180
8 colegas rendendo 15% menos por 1 mês
- Risco de desligamento depois do afastamentoR$ 14.175
35% saem em 12 meses × reposição de 75% do salário anual
- Risco jurídico esperadoR$ 3.200
8% dos casos viram ação × R$ 40 mil
O benefício do INSS não entra: quem paga é a Previdência. A conta da empresa são os 15 primeiros dias, a reposição, a equipe, o risco de desligamento e o de ação trabalhista.
Premissas, limites e fontes
Limites
- Os dados do INSS contam benefícios, não pessoas, e só afastamentos acima de 15 dias. As licenças curtas são estimadas (3 para cada afastamento INSS) a partir de referência setorial, não de dado oficial.
- A incidência de 1,2% ao ano é a média nacional (546 mil afastamentos sobre cerca de 48 milhões de vínculos formais). Saúde, call center e financeiro ficam acima; indústria leve, abaixo. A simulação com a empresa usa o histórico dela.
- Os efeitos do programa (25%, 20% e 30%) são hipóteses baseadas na literatura de saúde mental no trabalho e no retorno de 4 para 1 da OMS. Ainda não há dado próprio: os pilotos existem para medir isso.
- O retorno de 4 para 1 soma o valor da saúde recuperada. Considerando só o ganho econômico, o estudo da OMS (Chisholm e colaboradores, 2016) estima entre 2,3 e 3 para 1.
- O modelo deixa de fora a sinistralidade do plano de saúde, o prêmio salarial por reputação e as multas da NR-1. Incluí-los só aumentaria a perda estimada.
- Presenteísmo é o componente maior e o mais incerto. Por isso o rendimento preservado é medido e reportado a cada ciclo, não só estimado.
Premissas
Perda: encargos e benefícios de 70% sobre o salário; 1,2% da equipe chega a um afastamento INSS por ano; 3 licenças curtas para cada um, de 8 dias em média; 18% da equipe com sintomas relevantes em dado momento, rendendo 25% menos. Custo de um afastamento: 4 meses de queda de 35% antes dele, os 15 primeiros dias, 3 meses de reposição a 60%, 8 colegas com 15% de queda por 1 mês, 35% de chance de desligamento com reposição de 75% do salário anual e 8% de chance de ação trabalhista de R$ 40 mil.
Fontes
- Ministério da Previdência Social, via Agência Gov. Previdência concede 546.254 auxílios por transtornos mentais e comportamentais (jan/2026): 2024, 2025 e os números por CID. (cópia arquivada)
- ANAMT. Levantamento com dados oficiais do INSS, 2023 a novembro de 2025 (27/01/2026): burnout, aposentadorias e a série de benefícios acima de 15 dias.
- CFF. Brasil registra maior número de afastamentos por ansiedade e depressão em 10 anos (12/03/2025): total de 2023 e duração média, com dados do Ministério da Previdência.
- Flash. 546 mil afastados pelo INSS em 2025 (05/08/2026): posição da ansiedade e da depressão entre todas as causas.
- Silva BMCC, Zanatta AB, Lucca SR. Prevalence of presenteeism among workers of an industrial company. Rev Bras Med Trab. 2017;15(3):236-43.
- Chisholm D e colaboradores. Scaling-up treatment of depression and anxiety: a global return on investment analysis. Lancet Psychiatry. 2016;3(5):415-24.
- OMS. Investing in treatment for depression and anxiety leads to fourfold return (13/04/2016).
- Axenya. Custos ocultos do afastamento por saúde mental (estrutura do modelo de custo).
Revisado por Dr. David Sosa Dias, psiquiatra · CRM-RJ 52.86494-3 · RQE 19051, em . Estimativa com premissas declaradas, não promessa de resultado.